Internacional

Corrupção e narcotráfico envolvem Presidente de Moçambique

O Wikileaks revela comunicações da embaixada norte-americana de Maputo que apontam o envolvimento de Armando Guebuza em escândalos de corrupção e narcotráfico

a embaixada dos estados unidos em maputo acusa o presidente da república de moçambique armando guebuza de ter recebido «entre 35 a 50 milhões de dólares» em comissões no negócio da compra da hidroeléctrica cahora bassa a portugal, segundo comunicações diplomáticas secretas reveladas quinta-feira pelo site de denúncias wikileaks. o chefe de estado é referido como estando envolvido em «todos os mega projectos de milhões de dólares» no país.

outra suspeita refere-se à «amizade próxima» entre guebuza, apelidado de «escorpião», o antigo presidente joaquim chissano e os dois principais narcotraficantes do país, o empresário mohamed bachir suleiman, referido por mbs, e ghulam rassul moti.

«mbs contribuiu grandemente para encher os cofres da frelimo e forneceu um suporte financeiro significativo às campanhas eleitorais», é referido. em troca, acredita a embaixada, saíram «ordens do gabinete da presidência para excluir certos contentores de carga das habituais vistorias de segurança no porto de maputo».

outro porto, o de nacala, é considerado um ponto chave do trânsito de cocaína, haxixe e heroína entre brasil, paquistão, afeganistão e índia, pontos de origem, e a áfrica do sul e a europa, importantes mercados.

nas comunicações reveladas, portugal é considerado um dos destinos dos estupefacientes, bem como um país onde mbs detém «contactos» e negócios que servem de fachada a actividades ilícitas.

moçambique é referido como o segundo país africano mais activo na rota internacional do tráfico de drogas. é notada ainda a existência de bancos e instituições financeiras em número muito superior à dimensão da economia nacional, e de uma bolha especulativa no mercado imobiliário, indícios de operações de lavagem de dinheiro.

em maputo, o primeiro-ministro moçambicano aires ali disse que o governo não tem «nada a comentar» sobre as suspeitas levantadas pelos estados unidos.

sol