Economia

Supermercados. Sindicato fala numa das maiores greves de sempre

Mas a associação de empresas distribuidoras fala numa fraca adesão

Para quem estava a pensar aproveitar o feriado para encher o frigorífico, a greve dos trabalhadores de supermercados marcada para o 1º de Maio ameaçava estragar os planos. Mas, aparentemente, tudo está a funcionar como deve ser: o sindicato dos trabalhadores do comércio falam numa grande adesão, mas a associação de empresas distribuidoras diz que tudo correu dentro da “normalidade e tranquilidade”, face à fraca participação dos funcionários.

Em comunicado, o Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal (CESP) destacou o facto de estar ser a greve “com a maior adesão dos últimos anos”.

A nota oficial enviada às redações refere que houve “dezenas de lojas” da empresa Dia/Minipreço que fecharam devido à forte adesão dos funcionários à greve e que, de uma forma geral, a participação dos trabalhores dos restantes supermercados superou os 50%.

O CESP afirma que a forte adesão à greve levou a que existissem “lojas e armazéns a funcionar com balcões encerrados, apenas chefias e formadores [a trabalhar] e prateleiras vazias”.

“Apesar das ‘ofertas’ de vouchers para massagens, almoços de camarão cozido e porco no espeto, muitos milhares de trabalhadores, que sabem que não há almoços grátis, mantiveram-se firmes, participaram ativamente em dezenas de piquetes de greve e aderiram massivamente à luta”, refere a nota enviada às redações. Como o i noticiou ontem, o CESP revelou que as grandes empresas estavam a tentar intimidar e aliciar os seus trabalhadores com várias ofertas: “Veja-se a Sonae/Continente a sortear um voucher entre os trabalhadores que estejam nos seus locais de trabalho a cumprir o seu horário de trabalho no dia 1 de maio. Ou o Jumbo/Auchan a organizar lanches e petiscos para os trabalhadores dentro dos locais de trabalho”, disse fonte da direção nacional do sindicato ao i.

Recorde-se que os trabalhadores dos supermercados exigem aumento de salários, encerramento do comércio no 1º de Maio e em todos os domingos e feriados e a negociação do Contrato Coletivo de Trabalho, “que se encontra em negociação, bloqueado pelos patrões, há mais de 31 meses”. O i tentou contactar o CESP para obter dados atualizados da adesão à greve, mas não obteve resposta.

APED fala em fraca adesão Mas nem todos têm a mesma perceção da greve: em nota enviada ao i, a Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED) diz ter ficado “pouco surpreendida com fraca e residual participação na greve” por parte dos mais de 130 mil trabalhadores das empresas que integram esta associação.

“As lojas de retalho alimentar e não alimentar estão a funcionar com normalidade, dentro dos habituais horários de funcionamento previamente estabelecidos para este dia”, refere a APED, que lembra que está a decorrer “a negociação dos termos e condições do Contrato Coletivo de Trabalho. A associação lamenta, por isso, que os sindicatos voltem a apelar à greve num momento em que se procura, mais uma vez, reforçar a tentativa de conciliação entre trabalhadores sindicalizados e empresas”.

Greve não afeta campanha O Pingo Doce aproveitou o dia de hoje para lançar mais uma das suas grandes campanhas.

Este ano, a cadeia de supermercados criou o ‘Festival da Poupança’, que tem a duração de nove dias e que teve início no passado sábado. Além das promoções semanais do folheto, o Pingo Doce apresenta, durante estes nove dias, todos os dias uma promoção diferente.

Hoje, os clientes Pingo Doce podem poupar duas vezes o valor do IVA - poupam na hora e ganham esse valor em cartão, para usar numa compra a partir de 35 euros entre os dias 8 e 21 deste mês, disse ao i fonte oficial do Pingo Doce. Esta é uma promoção que apenas é válida para os clientes que aderiram ao cartão ‘Poupa Mais’.

Contactada pelo i, fonte oficial da Jerónimo Martins garantiu que “a greve não afetou de todo a campanha” e que, ao contrário do que chegou a ser noticiado, todas as lojas Pingo Doce estão a funcionar.