Sociedade

Problema no microfone obriga a repetição de audições da Operação Marquês

Em causa estão os depoimentos prestados no início desta semana por Domingos Farinho, António Peixoto e outras testemunhas, e que não ficaram devidamente gravados.

Domingos Farinho, o professor universitário que terá escrito o livro de José Sócrates, e a sua mulher, assim como Rui Mão de Ferro, o blogger António Peixoto e o filho deste, António Mega Peixoto, vão ter de voltar a ser ouvidos pelo juiz Ivo Rosa na instrução da Operação Marquês. O magistrado tinha ouvido Mão de Ferro, arguido, e as restantes testemunhas na passada segunda-feira, mas um problema no microfone impossibilitou que as declarações prestadas ficassem devidamente gravadas.

Num despacho do juiz Ivo Rosa, noticiado pelo Observador e confirmado pelo i, lamenta-se os incómodos causados às testemunhas e marca-se a nova audição para 10 de maio.

Apesar de serem testemunhas neste processo, Farinho, a sua mulher, Jane Kirby, o blogger que escrevia sob o pseudónimo de Miguel Abrantes no blogue Câmara Corporativa, o seu filho e Ana Bessa, mulher de Pedro Silva Pereira, terão já sido notificados enquanto arguidos num processo que nasceu na Operação Marquês e no qual estão em causa os crimes de falsificação de documentos.

Como o i noticiou no início desta semana, Rui Mão de Ferro disse ao juiz Ivo Rosa que não conhecia o antigo primeiro-ministro, adiantando que quem lhe pediu para fazer um contrato de prestação de serviços com o professor universitário Domingos Farinho fora Carlos Santos Silva, de quem o MP acredita que era testa-de-ferro.

Apesar de ter dito que não queria com as suas declarações autoincriminar-se, Farinho admitiu ao juiz Ivo Rosa que não tinha conhecimento sobre se Mão de Ferro conhecia ou não o antigo primeiro-ministro e que o contacto do empresário lhe foi passado, tendo estado com ele apenas duas vezes para assinar os contratos de avença.

Recorde-se que, ao Ministério Público, Domingos Farinho já havia confirmado que trabalhava para José Sócrates: “[Havia] a hipótese de ir para dedicação exclusiva na Faculdade, só que, se assim fosse, não poderia garantir a reserva do contrato que me tinha sido pedido. Sugeri [a José Sócrates], em acordo com a minha mulher, que enquanto estivessem naquele período de disponibilidade, o pagamento fosse feito em nome dela”.

Segundo o MP, por estes serviços, o docente universitário terá auferido 95 mil euros.

Também António Peixoto e António Mega Peixoto afirmaram na segunda- -feira ao juiz de instrução que não sabiam se Mão de Ferro conhecia ou não José Sócrates, uma vez que apenas receberam o contacto daquele para celebrar os contratos de avença que tinham. O blogue Câmara Corporativa nasceu em 2005, tendo tido uma linha defensora do Executivo de José Sócrates. O seu autor, segundo o MP, recebeu uma avença mensal, entre 2005 e 2015, de 3550 euros. A partir daí, a avença passou a ser celebrada com o filho do blogger, António Mega Peixoto.