Sociedade

Máquinas de venda dos hospitais sem variedade e com opções pouco saudáveis

Direção-Geral da Saúde considera “bastante satisfatório” o resultado da ação inspetiva realizada a diversas unidades hospitalares.

As máquinas de venda automática dos hospitais têm ofertas pouco saudáveis. A total inexistência de fruta fresca e a pouca variedade de alimentos nos equipamentos presentes em hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS) foram duas das conclusões de uma ação inspetiva da Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS). Maria João Gregório, diretora do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável (PNPAS) da Direção-Geral da Saúde (DGS), ouvida pelo i, considera ainda assim o resultado da ação “bastante positivo”.

A ação realizada teve como propósito a verificação do cumprimento do despacho que limitava a venda de produtos prejudiciais à saúde no SNS. E nenhuma das máquinas dos hospitais inspecionados tinha fruta fresca como opção, o que é obrigatório. Mesmo havendo uma apreciação satisfatória quanto à oferta das máquinas, a maioria dos equipamentos não incluía grande parte dos alimentos que são recomendados.

Em declarações ao i, Maria João Gregório considera que estes resultados não são preocupantes porque, na grande maioria dos estabelecimentos, os alimentos proibidos já não estão presentes. “Há uma melhoria significativa se compararmos com uma fase prévia” e o propósito era “eliminar e reduzir alimentos desadequados do ponto de vista nutricional”, explica a diretora do PNPAS.

A responsável não nega, porém, que “existe ainda trabalho” a ser feito, principalmente com as empresas, para fornecerem opções mais saudáveis tanto para as máquinas como para os bares, bufetes e cafetarias.

Esta ação foi solicitada pela Ordem dos Nutricionistas e contou com a participação de nutricionistas peritos, em conjunto com uma equipa da IGAS, em outubro de 2017.

No total foram inspecionadas 200 máquinas em unidades hospitalares, nomeadamente, o Hospital Distrital de Santarém, o Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, o Instituto Português de Oncologia de Coimbra, o Hospital Distrital da Figueira da Foz, o Instituto Português de Oncologia do Porto, o Centro Hospitalar Baixo Vouga, o Hospital de Braga, o Hospital Santa Maria Maior, o Hospital Garcia de Orta e o Centro Hospitalar Lisboa Ocidental.

Alexandra Bento, bastonária da Ordem dos Nutricionistas, considerou ontem que “o primeiro desafio foi vencido”: “Houve alteração na oferta alimentar e o resultado é satisfatório. Agora falta trabalhar para atingir a excelência, que é contribuir, por um lado, para que o SNS disponibilize uma vasta variedade de produtos alimentares saudáveis, e, por outro, para que os portugueses adotem hábitos alimentares mais equilibrados”.