Internacional

Preservar um património da humanidade

A Vista Alegre junta-se à Ecoarts para criar uma coleção inspirada na Amazónia. Cinco representantes indígenas da tribo dos Kayapó estiveram no nosso país para conhecer a marca e alertar para os riscos na Amazónia. Parte da receita obtida com a venda de cada peça reverterá para reflorestar a região.

 

Uma coleção diferente mas com uma bela história por trás: a Vista Alegre e a ONG brasileira Ecoarts Amazonia lançaram recentemente a coleção Amazónia, acreditando que, «criando uma coleção que mostrasse a Amazónia vista de perto, em todo o seu esplendor e significados, seria possível alertar a consciência de todos e preservar um património que pertence à humanidade: a Amazónia brasileira».

‘Conhecer para preservar’ - foi este o mote da parceria que, pela primeira vez desde a fundação da Vista Alegre, deu origem a uma coleção que integra, sob o mesmo tema, as várias marcas do grupo: Vista Alegre, Bordallo Pinheiro e Casa Alegre.

Ao SOL, a Vista Alegre explica que esta é uma coleção inspirada pela flora e fauna da maior floresta tropical do mundo, mas também pelo saber e experiências das gentes que a habitam e «pela memória da notável obra Viagens Philosophicas, de Alexandre Rodrigues Ferreira», o naturalista brasileiro que estudou em Coimbra e percorreu o interior da Amazónia no final do século XVIII. 

«Na Coleção Amazónia, funde-se passado, presente e futuro. O passado chega dos desenhos do século XVIII de Alexandre Rodrigues Ferreira. O presente, encontra-se nos adornos mágicos criados pela Ecoarts Amazōnia e reinterpretados com a Vista Alegre, que contam a história das sementes, árvores, rios, fauna e povos da Amazónia. O futuro é trazido pela afetação de parte da receita da venda das peças da Coleção Amazónia ao plantio de árvores frutíferas em aldeias, áreas rurais e cidades da floresta brasileira», explica-nos a marca portuguesa.

Índios em Portugal Para apresentar esta coleção, vários membros indígenas residentes na Amazónia vieram de visita ao nosso país. «Foi uma experiência muito enriquecedora tanto para eles como para nós», refere a Vista Alegre, explicando que grande parte destas pessoas nunca tinham andado de avião ou sequer saído da sua cidade. «Poder ver as reações deles foi genuinamente enriquecedor. A isto junta-se a questão da partilha de conhecimentos, da troca de experiências e de saberes. Eles foram chamados a integrar este projeto desde o primeiro momento». Na convicção de que ninguém conhece a Amazónia como o seu próprio povo, a Vista Alegre explica que eles são também parte interessada na preservação ambiental, um dos pontos-chave desta coleção. Os indígenas visitaram a fábrica da Vista Alegre, ficando a conhecer o processo de execução das peças para as quais contribuíram «através de um trabalho criativo feito no local» com os designers da marca.

Responsabilidade social e ambiental Esta nova coleção da Vista Alegre, em conjunto com a Ecoarts, vem acompanhada de uma responsabilidade social e ambiental. «Resulta de um trabalho que tem um objetivo muito claro: preservar um património ambiental, cultural, social e científico essencial para o futuro da humanidade», explica a marca portuguesa de peças de porcelana, cristal e vidro, garantindo que parte da receita obtida com a venda desta coleção reverterá para a plantação de árvores frutíferas autóctones em cidades, áreas rurais e aldeias indígenas na região onde a Ecoarts atua. Já os resultados desta parceria vão ser documentados e partilhados de forma pública para que todos os que contribuíram e se associaram a esta iniciativa possam acompanhar e partilhar o crescimento «de uma causa que é de todos». Para a Vista Alegre, as questões ambientais têm chamado cada vez mais a atenção dos portugueses. «Evoluímos muito na consciencialização de que é preciso fazer alguma coisa para que as futuras gerações possam viver num mundo ambientalmente seguro». A preservação da Amazónia não é apenas um problema para o Brasil, é um desafio global.

Peças que revelam histórias A coleção, que integra as várias marcas do grupo - Vista Alegre, Bordallo Pinheiro e Casa Alegre - é constituída por mais de 70 peças em vidro e cristal, iluminação e gift. A inspiração veio da «maior floresta tropical do mundo, numa fusão surpreendente de matérias e técnicas». A Vista Alegre explica ainda que cada peça «revela histórias, mistérios e símbolos», sendo cada detalhe «uma descoberta». O resultado? Duas culturas irmãs unidas, com vontade de fazer mais pelo ambiente.