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“Tenho muitas saudades dele” afirma mulher que matou marido há nove anos

Challen, que espancou o marido com um martelo mais de 20 vezes, em agosto de 2010, vê agora a sua condenação ser anulada por evidências de ter sofrido de um “distúrbio adaptativo”, à época. 

 

Georgina Challen, de 65 anos, foi condenada a prisão perpétua em 2011 pelo homicídio do marido. De acordo com a mulher conhecida por Sally, o homem era “abusivo” e a sua morte foi consequência de “anos de humilhação” a que a sujeitou. No entanto, a pena foi anulada em fevereiro passado porque os procuradores descobriram novas evidências acerca do estado de saúde mental da britânica à época do crime, ocorrido em Surrey.

“Quem me dera que nada disto tivesse acontecido. Ainda o amo e tenho muitas saudades dele” afirmou Challen à porta do Tribunal Central Criminal de Londres, citada pelo Daily Mail, conhecido como Old Bailey. Sentenciada a nove anos e quatro meses de prisão, a idosa saiu em liberdade esta sexta-feira após cumprir mais de metade da pena. Perante a comunicação social, agradeceu ainda aos filhos, James e David, o apoio: “eles cumpriram a sentença comigo através das visitas regulares”, acrescentou.

A criminosa apelou à libertação de mulheres que se encontram em situações similares à dela, como as que são vítimas de violência psicológica e física: “Sei que cometem homicídios involuntários e não voluntários” explicitou também, dizendo que a sua história representa a severidade do “controlo coercivo” que os parceiros exercem.

“Perdemos o nosso pai e não procuramos justificar as ações da nossa mãe” adiantou James, que julga que os cenários vividos pela progenitora enquanto casada são a prova de que a mesma não deve ser punida futuramente. No entanto, os restantes familiares aparentam sentir “arrependimento, tristeza e raiva”.

De acordo com a advogada de defesa da inglesa, Harriet Wistrich, “uma vez o marido viu-a despedir-se de um amigo com um abraço, arrastou-a até ao andar de cima da casa e violou-a”. Depois do sucedido, o senhor Challen “pousou com supermodelos junto de um Ferrari e colocou a fotografia em variados postais natalícios que enviou a amigos da família”.

Challen, que espancou o marido com um martelo mais de 20 vezes, em agosto de 2010, vê agora a sua condenação ser anulada por evidências de ter sofrido de um “distúrbio adaptativo”, à época. Contudo, no seu julgamento, em 2011, foi descrita como “uma esposa ciumenta que se queria vingar”. Para os filhos, Sally desejava apenas ver um fim ao controlo e perseguição levados a cabo pelo companheiro.