Sociedade

Estudantes de Direito boicotam exames orais em Coimbra

Calvete, doutor em Ciências Jurídico-Económicas e docente de Direito desde 1987, reagiu de forma peculiar perante a polémica, afirmando “quero deixar bem claro que não lhes vou responder”.

 


O Núcleo de Estudantes de Direito da Associação Académica de Coimbra (NED/ACC), presidido por Pedro Marques Dias, divulgou um comunicado na sua página oficial do Facebook, na passada segunda-feira, que diz respeito à prova escrita de época normal da disciplina de Economia Política II. No site da instituição, é descrita como “um curso que se destina a estudantes de Direito, que, em princípio, não sabem matemática para além do elementar”, sendo lecionada durante o primeiro ano do curso.

No entanto, os estudantes, cujo professor da unidade curricular anteriormente mencionada é Victor Calvete, sentiram que durante o momento de avaliação, existiram “violações claras do Regulamento do Curso de Licenciatura em Direito (...) apresentadas à Direção da Faculdade (...) que manifestou a sua plena concordância e apoio à posição dos estudantes” como se pode ler no documento intitulado “Os Estudantes Nunca Ficarão Sem Voz”.

Para os jovens, “a mais evidente violação prende-se com o facto de a prova escrita não ter sido cotada para 20 valores, contrariando a exigência regulamentar e legal dos estudantes serem avaliados numa escala de 0 a 20”, pois foi composta por 75 questões de 0,26 valores que perfazem 19 valores. Na opinião do NED/ACC, esta divisão de cotações é “matematicamente incompreensível”, “pedagogicamente insustentável” e levou à reprovação de alunos que, de outro modo, poderiam ter aprovado à disciplina.

De acordo com o comunicado, Calvete, doutor em Ciências Jurídico-Económicas e docente de Direito desde 1987, reagiu de forma peculiar perante a polémica, afirmando “quero deixar bem claro que não lhes vou responder”.

Assim, o NED/AAC procedeu ao boicote pacífico das provas orais esta terça-feira, dia 25 de junho, pelas 11h “numa demonstração de solidariedade e apoio aos colegas incorretamente avaliados”. A direção da instituição e a reitoria da Universidade de Coimbra suspenderam “de forma imediata todo o processo avaliativo, abrindo um processo de inquérito ao docente da disciplina”.