Sociedade

Vacina contra Alzheimer pode tornar-se realidade

A fase de teste já foi ultrapassada e 42 pacientes responderam de forma positiva

“Há oitenta anos, era o vírus da pólio. Hoje, a nossa epidemia é a Alzheimer” pode ler-se no site oficial da United Neuroscience, que se autodescreve como “uma equipa global unida contra as doenças do cérebro”. Com membros especializados em neurologia, vacinação, medicamentos e ideias disruptivas. Acima de tudo, esta companhia foca-se num novo tipo de vacinas: endobody, isto é, totalmente sintéticas e que preparam o organismo para tratar e prevenir patologias neurológicas de forma segura e eficiente.

A condição, abordada pela primeira vez em 1906 pelo psiquiatra alemão Alois Alzheimer, após ter reparado que o tecido cerebral de um paciente seu tinha sofrido alterações quando este manifestava perda de memória, problemas de linguagem e comportamentos imprevisíveis pode vir a ser erradicada. A United Neuroscience avançou com uma vacina contra esta doença, ultrapassando a fase de teste.

A UB-311, imunoterapia que aparentemente responde negativamente aos anticorpos beta-amilóide – proteína que provoca este tipo de demência – eliminando-os, ainda não está estudada a cem por cento, sendo que não há evidências sólidas de que tenha um impacto verdadeiro sobre a cognição e a memória dos pacientes. Mas, tendo sido aplicada em 42 pacientes, demonstrou ser bem tolerada e estimular os  anticorpos anti-amilóide. O sinal mais encorajador é o facto de a UB-311 não possuir qualquer toxicidade.

Recorde-se que, há 19 anos, pensava-se que a vacina AN-1792, da Johnson & Johnson, poderia ser usada em doenças neurodegenerativas mas a ideia foi abandonada após a investigação científica demonstrar que esta poderia ser nociva.

“Não temos medo de ser corajosos nem de tentar alcançar o impossível. Estamos determinados a transformar as vidas dos pacientes afetados por Alzheimer, Parkinson e outras patologias bem como as dos seus familiares” escreveu a United Neuroscience na sua plataforma online.

Sublinhe-se que o objetivo da empresa é pensar a 50 anos: proteger as pessoas contra doenças e envelhecimento crónicos com “vacinas tão eficazes como as vacinas contra doenças infecciosas”.