Desporto

EUA-Holanda. Favoritismo confirmado e aí está o inédito bicampeonato

A seleção norte-americana venceu (2-0) a Holanda num jogo de sentido único. Os EUA são os recordistas de vitórias da prova com quatro títulos conquistados em oito edições.

AFP
AFP
AFP
AFP
AFP
AFP
AFP
AFP
AFP
AFP
AFP

É a velha lengalenga do favoritismo mas que neste caso não pode ser descartado. A final do Campeonato do Mundo de futebol feminino colocou frente a frente os EUA e a Holanda, com as primeiras a herdarem a tal herança de favoritas, desde logo por chegarem ao encontro derradeiro com o estuto de campeãs em título. Todavia, se às vezes podem aparecer supresas – e, neste caso, seria histórico, já que as holandesas procuravam alcançar o primeiro troféu mundial – este domingo não aconteceu nada de novo. Ou, melhor dizendo, nada do que já não fosse esperado. 
Embora os golos só tenham chegado na segunda metade do encontro, disputado em Lyon, França, a seleção norte-americana foi superior ao longo de toda a partida, fazendo perceber que a aposta mais provável viria a revelar-se um acontecimento certo.

Depois de o marcador ficar inalterado durante uma hora de jogo, sobretudo graças às intervenções da guarda-redes holandesa Veenendaal, o primeiro golo surgiu com a ajuda do VAR. Aos 61 minutos, uma grande penalidade cometida por Stefanie van der Gragt sobre Alex Morgan resultou no primeiro golo dos EUA, num penálti cobrado com sucesso por parte de Megan Rapinoe. Pouco depois (69’), Rose Lavelle rematou para fixar o resultado final em 2-0. 
A partir daqui foi preciso apenas que se esgotassem os vinte minutos em falta do tempo regulamentar para ficar  cumprido o bicampeonato mundial.

As comandadas de Jillian Ellis fizeram, de resto, um percurso exemplar na prova, com um registo 100% vitorioso. Na fase de grupos, golearam a Tailândia (13-0), venceram o Chile (3-0) e a Suécia (2-0). Por sua vez, nos oitavos-de-final eliminaram a Espanha (2-1). Já nos quartos deixaram a França pelo caminho (2-1) enquanto nas meias levaram a melhor sobre a Inglaterra (2-1). No total, o conjunto norte-americano apontou 26 golos contra apenas três sofridos.
Esta foi, de resto, a oitava edição do Mundial feminino, com as norte-americanas a vencerem quatro destas provas. Antes do triunfo de ontem, venceram a edição inaugural da prova, em 1991, e, mais tarde, em 1999, e em 2015 – ano em que bateram o Japão na final, por 5-2, já sob a orientação da ex-jogadora Jillian Ellis.
Depois dos EUA, recordista de vitórias na competição, segue-se a Alemanha, que com dois títulos (2003 e 2007) era até ontem a única seleção bicampeã mundial, a Noruega e o Japão, ambos com um troféu cada, conquistados em 1995 e 2011, respetivamente.

A polémica com Trump Não foi apenas dentro de campo que a seleção norte-americana deu que falar. Há cerca de duas semanas, Megan Rapinoe, capitã da seleção e a grande figura da prova, levantando a taça de campeã e ficando também com o troféu de melhor jogadora e melhor marcadora (6 golos), tornou-se protagonista depois de ter avisado que não iria visitar a Casa Branca após o Campeonato do Mundo, devido às divergências com o presidente Donald Trump.
As declarações da avançada aconteceram antes de os EUA defrontarem os quartos-de-final, contra a anfitriã França, num jogo em que Rapinoe bisou e foi a heroína do encontro: “Eu acho que não vou e encorajo as minhas companheiras a refletirem sobre isto. É uma administração que não pensa como nós e que não se bate pelas mesmas coisas que nós nos batemos”. 

As palavras da norte-americana fizeram eco e mereceram mesmo uma resposta por parte do presidente norte-americano, que se mostrou irritado com a posição da atleta.

“Megan nunca deve desrespeitar o nosso país, a Casa Branca ou a nossa bandeira, especialmente porque muito tem sido feito por ela e pela equipa. Tem orgulho da bandeira que vestes. Os EUA estão a jogar muito bem!”, escreveu o presidente norte-americano no Twitter, depois de já ter criticado Megan Rapinoe pela sua atitude de protesto enquanto toca o hino nacional norte-americano antes dos jogos do Mundial – a jogadora recusa-se a cantar ou até a colocar a mão no peito.
A verdade é que depois de ter dito que a jogadora deveria “ganhar primeiro antes de falar”, Trump deixou entretanto o convite à seleção feminina de futebol para visitar a Casa Branca independentemente de se sagrarem ou não vencedoras da competição.

Contudo, Rapinoe, que é assumidamente homossexual, voltou a garantir que não aceitará quaisquer convites que cheguem por parte da administração de Trump. A sua posição contra as políticas do presidente norte-americano, sobretudo no que toca aos direitos das minorias, tem vindo a acentuar-se desde 2016, altura em que a capitã da seleção se solidarizou com o antigo jogador de futebol americano Colin Kaepernick, dos San Francisco 49ers, que iniciou um protesto contra a injustiça social e racial nos EUA, recusando-se a permanecer de pé enquanto tocava o hino dos EUA. 
Resta agora perceber se a seleção norte-americana irá seguir o pedido feito pela capitã ou até mesmo tentar perceber se Megan Rapinoe muda a sua posição. 

Hoje, cerca de duas horas após a conquista do inédito bicampeonato, Trump voltou a recorrer às redes para dar os parabéns à seleção. Numa curta mensagem em que falou de “orgulho” não referiu, contudo, a data da eventual visita. 

Prémios Com o triunfo, os EUA arrecadaram um prémio de 3,5 milhões de euros, montante definido pela FIFA, que será pago diretamente à federação. Para a vice-campeã do Mundo estava destinada uma compensação de 2,3 milhões de euros. A nível individual, com a vitória, cada jogadora norte-americana leva para casa um prémio individual de 220 mil euros. Também neste campo, diga-se, a estrela maior da seleção norte-americana tem dado que falar. Megan Rapinoe faz parte de um grupo de 28 futebolistas da seleção norte-americana que está a processar a federação de futebol deste país por desigualdade de género, devido às diferenças salariais entre as seleções masculina e feminina no pagamento de prémios. De relembrar que a França venceu o Mundial recebendo por isso  32,5 milhões e a Croácia, que ficou em segundo lugar, foi recompensada com 23,4 milhões de euros.