Internacional

Manifestantes de Hong Kong tentam trazer para o seu lado turistas chineses

É a primeira manifestação de larga escala desde a violenta invasão da sede legislativa de Hong Kong

Dezenas de milhares de pessoas marcharam em Hong Kong este domingo, passando pelos bairros mais turísticos da cidade - muito populares entre os visitantes da China continental - em direção à estação de Kowloon, que liga a península semi-autónoma de Hong Kong ao resto da China. “Queremos mostrar os nossos protestos pacíficos e graciosos aos visitantes continentais, porque a informação é muito bloqueada na China continental”, explicou à Associated Press um dos organizadores da marcha, Ventus Lau. 

Hong Kong, um enclave chinês com grande autonomia política, judicial e financeira, enfrenta um turbilhão político desde há cerca de um mês, com os prostestos contra a proposta de uma nova lei, que permitá extradições para a China continental. Os manifestantes temem que a lei que fragilite a autonomia da península, facilitando a perseguição de dissidentes políticos por Pequim. Já a líder de Hong Kong, Carrie Lam, uma das principais proponentes da lei, assegura que esta tem imbutidas proteções legais contra abusos do Governo chinês. 

Os protestos de domingo são a primeira manifestação a larga escala desde opositores da lei invadiram e vandalizaram a sede legistlativa da península. Perante a impotência das forças policiais e por entre hinos cristãos, centenas de pessoas derrubaram barreiras, grafitaram parede e partiram o símbolo de Hong Kong, que taparam com uma bandeira colonial britânica. A agência noticiosa Xinhua - que segue a prática de raramente noticiar os protestos - até divulgou um comunicado em que o Governo de Hong Kong “lamenta e condena profundamente os atos extremamente violentos cometidos por alguns manifestantes”.

Figuras proiminentes da oposição - incluindo o chamado “pai da democracia de Hong Kong”, Martin Lee - condenaram a violência, chegando a opinar que o vandalismo foi uma armadilha montada pela China para deslegitimar os protestos, motivando uma intervenção mais musculada da China. Seja como for, o protesto deste domingo mostra que boa parte dos habitantes de Hong Kong continuam decididos a sair à rua.