Internacional

Sánchez e Iglesias não se conseguem entender para governar Espanha

A poucas semanas da votação para a investidura de Pedro Sánchez como primeiro-ministro, PSOE ameaça com novas eleições.

 

Parece cada vez mais inevitável uma repetição das eleições espanholas de 28 de abril, com o afastamento entre o PSOE, de Pedro Sánchez, e o Podemos de Pablo Iglesias. Algo bem notório no rescaldo da quinta reunião destas forças políticas - a duas semanas da votação de Sánchez como primeiro-ministro. Apesar de não ter maioria, o PSOE exige formar um Executivo monocromático, apenas um acordo programático com o Podemos e presença de “independentes de reconhecido prestígio”, segundo fontes socialistas do El País. Já o Podemos terá pedido o cargo de vice-primeiro-ministro, ao que o PSOE respondeu com a ameaça de não avançar com a investidura de Sánchez - o que levaria certamente a eleições antecipadas a 10 de novembro.

“O que Espanha precisa é de um Governo de coligação de esquerdas, e esperamos convencer o PSOE a flexibilizar a sua posição”, afirmou o líder do Podemos no final da reunião de ontem, que acusou o líder do PSOE de “não quer negociar mas sim impor um Governo de partido único”. A versão da história dada pelos socialistas é que o Podemos não quis negociar sobre os conteúdos políticos do acordo. “Parece que preocupa mais a Iglesias os nomes do conselho de ministros do que as políticas a levar a cabo”, acusou a porta-voz do PSOE no congresso, Adriana Lastra. 

Não seria a primeira vez que o Podemos e o PSOE não conseguiam chegar a um acordo de governação. Da última vez acabou com a repetição das eleições de 2015, dando mais uma vitória do Partido Popular (PP) em 2016 - com a abstenção do PSOE a permitir a investidura de Mariano Rajoy como primeiro-ministro. 

 

Desavenças Ainda em inícios de junho tudo parecia encaminhado para a cooperação entre os líderes da esquerda espanhola. “Tenho a impressão que quer negociar um Governo de esquerda connosco, não tenho nenhuma razão para pensar que Sánchez está a mentir”, assegurou então Iglesias. “A esquerda sabe entender-se”, garantia Lastra, confiante, falando com satisfação em “grandes coincidências programáticas”. 

Mas tudo azedou desde então, com o “corta e cola” do programa socialista, sobretudo no que tocava ao próximo orçamento de Estado, segundo disse à Tele 5 Iglesias - que acusou o PSOE de arranjar desculpas para o Podemos não entrar no Governo. Mesmo depois de o Podemos se comprometer a respeitar a linha dura dos socialistas quanto ao independentismo catalão. Ou seja, que a defesa de um referendo bilateral por parte do Podemos não chocará com a recusa de Sánchez em sequer questionar a unidade de Espanha, preferindo apostar em concessões para maior autonomia da região.

 

Sem opções Falhando as negociações com o Podemos, é improvável que os 123 deputados socialistas tenham aliados suficientes ao seu lado para chegar aos 176 necessários para eleger Sánchez como primeiro-ministro. Uma aliança com os 57 deputados do Ciudadanos chegaria, mas o seu líder, Albert Rivera, não está para aí virado. O Ciudadanos aproveita para tomar o papel de líder da oposição, após a derrocada eleitoral do PP - que perdeu mais de 70 deputados em 2019. O líder dos conservadores, Pablo Casado, defendeu que a liderança da oposição “ninguém a pode dar, nem tirar”. Mas já garantiu que votará contra um novo mandato de Sánchez como primeiro-ministro, apesar de admitirem a possibilidade de acordos pontuais com o Governo - caso este não dependa dos independentistas.