Politica

Apanhado na operação‘Tutti-Frutti’ na calha por Braga

Carlos Eduardo Reis pode ir para as listas no círculo bracarense. Listas fechadas só no dia 30 com alguma tensão nas distritais por causa de quota nacional da direção do PSD. 

Carlos Eduardo Reis, conselheiro nacional do PSD e antigo presidente da JSD de Braga, está na calha para integrar as listas do partido pelo círculo eleitoral de Braga, por indicação do presidente social-democrata, Rui Rio.  Não há decisão tomada, mas o nome de Carlos Reis está em cima da mesa para um eventual quarto lugar na equipa, liderada por André Coelho Lima, vogal da comissão política de Rio. Ora, Carlos Reis foi notícia há um ano quando o seu nome ficou envolvido na operação Tutti-Frutti, num processo sobre adjudicações entre empresas e autarquias. 
 
Na altura  200 inspetores da PJ e 12 magistrados fizeram buscas em 20 autarquias à procura de indícios  sobre contratos com empresas que teriam alegadas ligações partidárias. A empresa de Carlos Reis foi uma das visadas. Nas buscas, a nível nacional, as autoridades procuraram, então, documentos sobre avenças, contratos, ajustes diretos com autarquias do PSD, mas também socialistas. Apesar do aparato, o conselheiro nacional não foi constituído  arguido neste caso.
 
A Polícia Judiciária chegou a ir à sede do PSD, e o secretário-geral do partido, José Silvano, deu uma conferência de imprensa a explicar que o combate à corrupção e ao compadrio faziam parte do caderno de encargos da liderança de Rui Rio. 
 
Carlos Reis é também o principal rosto de uma das listas com maior representatividade no Conselho Nacional do PSD.  Em janeiro de 2019, quando se decidia a contenda entre Rui Rio e Luís Montenegro para definir se o PSD teria eleições diretas antes do previsto, o conselheiro foi abordado para avaliar de que lado estaria no momento de votar uma moção de confiança a favor de Rui Rio. O conselheiro nacional chegou a ter também uma conversa com o antigo líder parlamentar, Luís Montenegro, o challenger de Rio, que conhece há vários anos. Numa semana de grande tensão interna, Reis acabou por votar a favor da moção de Rui Rio.
 
Contactado pelo SOL sobre a sua inclusão na lista de Braga, Carlos Reis não quis prestar qualquer comentário. 
 
Hugo Soares fora das listas
 
Em Braga, apesar da distrital do partido ter indicado tanto Hugo Soares como João Granja como escolhas pela concelhia bracarense para a lista de deputados, Rio não vai aceitar e já convidou o vice-presidente da autarquia, Firmino Marques, para figurar em número dois da equipa liderada por André Coelho Lima.
 
Firmino Marques é vice-presidente da Câmara de Braga e amigo de Rui Rio, mas terá de prescindir do lugar de número dois de Ricardo Rio na câmara para cumprir as regras previstas no perfil dos candidatos. No documento defende-se que se deve evitar escolhas de personalidades «de cargos políticos executivos de eleição em acumulação».
 
O veto a Hugo Soares já tinha sido admitido por algumas fontes sociais-democratas, sobretudo porque o ex-líder parlamentar do PSD foi o braço-direito de Montenegro na estratégia para desafiar Rui Rio a ir a eleições diretas no partido em janeiro deste ano. E nas reuniões da bancada do PSD não se coibiu de apontar o dedo ao que considerava estar errado na estratégia. Ao i, Hugo Soares apenas disse que não alimentava especulações sobre o seu futuro no Parlamento. «Estou muito empenhado em ganhar as eleições ao Partido Socialista», acrescentou.
 
No próximo dia 24, a distrital, liderada pelo eurodeputado José Manuel Fernandes, reunirá com a direção do partido para se perceber como ficará a ordenação da lista pelo círculo eleitoral de Braga. Porém, não é líquido que fique já tudo definido. No limite, a comissão política nacional, marcada para 30 de julho, antes do conselho nacional, pode alterar, incluir ou excluir nomes de candidatos.
 
Distritais em lume brando
 
Várias distritais ainda não sabem quem são os nomes que o líder do PSD quer colocar nas listas do seu respetivo círculo (além dos cabeças-de-lista já definidos), e, por isso, existe alguma ansiedade. Mas também já existem alguns casos que podem ser um exemplo de dores de cabeça para Rui Rio. Em Setúbal, o presidente da distrital, Bruno Vitorino, insistiu com a direção de que Maria Luís Albuquerque deveria ser a número dois da lista, encabeçada por Nuno Carvalho. Fernando Negrão, líder parlamentar do partido, é a opção da direção de Rio. Por isso, surgiu o impasse, sinónimo de que se avizinham momentos de grande tensão no distrito de Setúbal. Por agora, ficou marcada nova reunião na próxima semana e o mesmo é dizer que a crise ficou adiada mais alguns dias. 
 
Em Leiria existe um problema pendente que pode ser sinónimo de tensão interna. O deputado Feliciano Barreiras Duarte foi indicado pela concelhia do Bombarral na estrutura distrital e pode correr o risco de ir em lugar inelegível. De acordo com informações recolhidas pelo SOL, há a intenção de colocar mais um nome escolhido pela direção na lista por aquele círculo, além da cabeça-de-lista, Margarida Balseiro Lopes. E o nome que está em cima da mesa será Feliciano Barreiras Duarte. Ora o seu nome não recolhe consenso na distrital, mas sendo indicado pela sede nacional, ficará em lugar elegível. Já Margarida Balseiro Lopes, líder da JSD, mereceu um louvor da distrital .
 
Em Lisboa e no Porto também existem várias incógnitas. No círculo eleitoral de Lisboa, a distrital ainda não sabe quantos nomes Rio vai indicar pela quota da direção, além da cabeça-de-lista, Filipa Roseta. Nem tão pouco percebeu se  Miguel Pinto Luz, o primeiro indicado pela distrital, liderada por Pedro Pinto, será aceite. O autarca de Cascais não escondeu, no passado, ter a ambição de concorrer à liderança.
 
Na próxima segunda-feira a direção do PSD reúne-se com presidentes das distritais, diretores de campanha e respetivos cabeças-de-lista para começar a preparar a campanha eleitoral, sendo certo que a ordens são claras: poupar e usar apenas o dinheiro estimado de subvenção pública. Nessa lógica, a direção de Rio vai usar a mesma rede de outdoors que utilizou nas europeias: 200 espalhados pelo País. Nem mais, nem menos.