Sociedade

INEM andou quatro horas às voltas com ferido grave

Vítima precisava de assistência adequada urgente e helitransporte para Lisboa foi acionado, mas ferido grave só chegou ao Hospital de São José quatro horas depois de andar às voltas dentro da ambulância

O ferido mais grave dos incêndios que deflagraram no fim de semana na zona de Vila de Rei esteve horas às voltas dentro de uma ambulância, até ser devidamente assistido num hospital em Lisboa. Com queimaduras de primeiro e segundo grau, sofridas no sábado ao início da noite, atualmente está em coma induzido em São José.

A gravidade dos ferimentos obrigava ao helitransporte da vítima dos incêndios, mas o fumo e o facto de ser noite impedia que a operação se fizesse a partir de Vila de Rei, por isso o Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) ordenou que o queimado fosse levado ambulância de Suporte Imediato de Vida (SIV), acompanhada pela viatura médica de emergência e reanimação (VMER), para o aeródromo das Moitas, a cinco quilómetros de Proença-a-Nova, segundo o Jornal de Notícias.

O helicóptero do INEM de Santa Comba Dão foi ativado, pelo INEM, que levantou voo eram quase 23h. O mesmo jornal apurou que a ordem era para pousar naquela pista, recolher o ferido e levá-lo para a capital. Mas o que se passou a seguir fez com que fossem precisas mais quatro horas até que desse entrada no São José.

A pista de Proença-a-Nova, gerida pela câmara, acolhe apenas voo diurnos, mas pode haver exceções, por isso até aqui tudo bem. O CODU está obrigado a averiguar se existem as condições técnicas para a aterragem dos helicópteros, mas acabou por acionar o helicóptero de Santa Comba Dão sem ter a garantia de que poderia aterrar ali. É que a pista de Proença-a-Nova não tem iluminação e é necessário ligar um holofote para sinalização do local.

Porém, o CODU não conseguiu contactar o diretor da pista e responsável pela Proteção Civil de Proença-a-Nova, nem o comandante dos bombeiros locais, pois todos estavam envolvidos no combate aos fogos.

Entretanto, o helicóptero estava às voltas no ar já há algum tempo e os níveis de combustível estavam a baixar, e já só eram suficientes para o regresso e por isso acabou por voltar à base. Entretanto foi acionado o helicóptero de Évora mas que se deparou com o mesmo problema. O INEM terá, segundo o Jornal de Notícias, conseguido que o presidente da Câmara autorizasse a aterragem no campo de futebol Senhora das Neves.

Foi então para aí que seguiu a ambulância SIV com o ferido grave, há horas à espera de ser levado para Lisboa. Antes de embarcar teve de ser estabilizado, o que terá demorado mais de uma hora, só depois foi colocado no helicóptero do INEM de Évora e transportado para o Hospital de São José onde chegou já depois das 3h da manhã de domingo. Esta terça-feira, continua em coma induzido devido à gravidade dos ferimentos, que incluem queimaduras de primeiro e segundo grau, sofridas durante o incêndio no sábado.

Paula Neto, médica do INEM, já reagiu, garantindo à RTP que foram seguidos todos os procedimentos na assistência ao ferido num incêndio e que o doente teve acompanhamento médico constante.

Já o autarca de Proença-a-Nova, João Lobo, lamentou o sucedido. "Da nossa parte, fizemos tudo o que poderia ter sido feito", sublinhou ao Jornal de Notícias.