Economia

FMI volta a rever em baixa a previsão de crescimento

Fundo Monetário Internacional está menos otimista em relação à economia a nível mundial. Na zona euro as previsões mantêm-se praticamente inalteradas em relação às de abril.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) voltou a rever ontem em baixa o crescimento da economia mundial para 3,2% este ano e 3,5% no próximo. Os valores, apresentados no relatório World Economic Outlook, representam menos 0,1 pontos percentuais em ambos os casos, quando comparados com o relatório apresentado em abril.

Já na zona euro, o FMI projeta um crescimento de 1,3% para este ano e 1,6% no próximo. A previsão de abril apontava para um crescimento igual este ano e de 1,7% para 2020.

Segundo o relatório - que fica também marcado por ser o último antes da despedida de Christine Lagarde - “o crescimento global permanece subjugado. Desde o relatório de abril, os Estados Unidos aumentaram ainda mais as tarifas sobre algumas importações chinesas e a China retaliou aumentando as tarifas sobre um conjunto de importações norte-americanas”, justifica a instituição.

Para o FMI é claro que as cadeias de abastecimento de tecnologia à escala global acabaram por ser “ameaçadas pela perspetiva de sanções dos Estados Unidos, a incerteza relacionada com o Brexit continuou e o aumento das tensões geopolíticas agitou os preços da energia”.

Já no que diz respeito à recuperação do crescimento económico para o próximo ano, o FMI alerta que é “precária”, o que presume uma estabilização nas economias emergentes e em desenvolvimento.

A previsão do crescimento do PIB para os mercados emergentes e economias em desenvolvimento foi também revista em baixa: 4,1% este ano e 4,7% para o próximo. Uma queda de 0,3 e 0,1 pontos percentuais, respetivamente, em relação ao relatório de abril.

O FMI indica também que o investimento e a procura por bens de consumo duradouros foram moderados tanto nas economias de mercado avançadas como nas emergentes, à medida que as empresas e as famílias continuam a reter os gastos com impacto no longo prazo.

Riscos O FMI garante que “os riscos para as previsões são sobretudo negativos”, uma vez que incluem as tensões comerciais e tecnológicas, um prolongado aumento na aversão ao risco que expõe a continuação das vulnerabilidades financeiras”. Nesse sentido, a instituição defende que “as ações políticas multilaterais e nacionais são vitais para colocar o crescimento global num patamar mais forte”.

O FMI garante que os mercados financeiros globais têm lutado com duas questões-chave nos últimos três meses: “primeiro, os investidores estão cada vez mais preocupados com o impacto da intensificação das tensões comerciais e o enfraquecimento das perspetivas económicas. Segundo, os participantes do mercado estão a lidar com as implicações dessas tensões para a perspetiva política monetária”.

Para o FMI a solução é clara: “as prioridades em todas as economias passam por aumentar a inclusão, fortalecer a resiliência e abordar as restrições ao crescimento do produto potencial”.