Desporto

Quem precisa das estrelas?

Mesmo sem os nomes mais sonantes, a seleção portuguesa de sub-19 volta a estar na final do Europeu. Espanha é o último obstáculo à revalidação do título alcançado no ano passado.

Pé ante pé, com os nomes mais sonantes do escalão a ficar em terra por imposição dos respetivos clubes e sem grande alarido, os jovens que integraram a convocatória final de Filipe Ramos para o Europeu de sub-19 conseguiram a proeza de alcançar mais uma final no escalão - a 13.ª, e terceira nos últimos três anos - e assim defender o título conquistado há um ano na Finlândia.

Nomes como Pedro Álvaro, Tiago Dantas e Nuno Tavares (Benfica), Rafael Camacho (Sporting) ou Romário Baró (FC Porto), além dos mais jovens mas igualmente selecionáveis Tomás Esteves, Fábio Silva (ambos dragões) ou Joelson Fernandes (leão) viram-se fora da prova para cumprir a pré-temporada nos clubes, com a águia Umaro Embaló a falhar a competição por lesão. Mas, no futebol como na vida, o azar de uns acaba por ser a sorte de outros, e são vários os meninos que têm aproveitado a oportunidade para se mostrar ao mais alto nível e levar o nome de Portugal bem longe na competição que se vai disputando na Arménia.

A presença na final deste sábado, no que será um reencontro com Espanha, depois do 1-1 registado na segunda jornada da fase de grupos, foi selada na quarta-feira com uma goleada sobre a República da Irlanda: 4-0. Aí, brilhou a grande altura Gonçalo Ramos, autor de um hat-trick que se seguiu ao penálti cobrado pelo capitão Vítor Ferreira. Antes, a seleção nacional havia vencido Itália por concludentes 3-0 na primeira jornada do grupo A, goleando também a anfitriã Arménia na última (4-0), já depois do tal empate com nuestros hermanos, e miúdos como Tomás Tavares, Diogo Capitão, Fábio Vieira, João Mário, Félix Correia, os Gonçalos do centro da defesa (Loureiro e Cardoso) e o guardião Celton Biai mostraram não ficar a dever nada aos ausentes.

É um percurso imaculado de Portugal, que soma quatro títulos no escalão, se contabilizarmos os conseguidos em 1961, no então denominado Torneio Internacional de Juniores, e em 1994 e 1999, quando o torneio era para equipas sub-18 - passou para o atual formato em 2002. Desde então, a seleção nacional perdeu três finais (2003, 2014 e 2017), até à conquista do ano passado, na Finlândia, ao bater Itália por 4-3 após prolongamento, numa final absolutamente épica.

Ao todo, esta é já a 25.ª final de uma seleção jovem portuguesa em grandes competições internacionais: sete de Europeus de sub-16/sub-17 (seis ganhas), 13 nos Europeus de sub-18/sub-19 (quatro ganhas e uma por disputar), duas em Europeus de sub-21 (ambas perdidas) e mais três em Mundiais de sub-20 (duas ganhas, as tais da Geração de Ouro orientada por Carlos Queiroz em Riade e Lisboa).

Do outro lado, porém, estará um osso bem duro de roer - como a própria seleção de Portugal já teve oportunidade de confirmar no jogo da fase de grupos. Espanha entrou na prova a vencer a equipa da casa por 4-1 e, na primeira ‘final’ que teve de disputar, bateu Itália (2-1) e garantiu o segundo lugar do grupo. Nas meias-finais encontrou a temida França, numa partida que não saiu do teimoso nulo; no desempate por grandes penalidades, os espanhóis tiveram mais sorte - ou mais habilidade -, venceram por 4-3 e asseguraram a presença no jogo de todas as decisões.

Espanha, é preciso lembrar, é a recordista de vitórias na competição: dez, num total de 14 finais, numa onda iniciada em 1952 e que viu a última fornada gloriosa acontecer em 2015. Se restringirmos a contagem apenas a este formato, porém, o pecúlio é ainda mais impressionante: sete conquistas em 18 edições. França é quem chega mais perto, com... três.

Esta será a primeira final entre os dois países, mas já o sétimo duelo nesta categoria  os seis anteriores aconteceram sempre na fase de grupos. Aqui, o registo é favorável à Rojita: duas vitórias e quatro empates, contra zero triunfos lusos. Cabe agora aos meninos de Filipe Ramos desafiar e reescrever a história - se bem que um empate seguido de festa nos penáltis seria certamente recebido de braços abertos por todo o país futebolístico.