Internacional

Grandes potências tentam salvar pacto com o Irão

Irão diz que apreensão do seu petroleiro viola o acordo. No entanto, afirmou que a reunião foi construtiva.

Os membros do acordo nuclear de 2015 - exceto os Estados Unidos - reuniram os seus diplomatas em Viena, este domingo. Alemanha, China, França, Reino Unido, Rússia e União Europeia encontraram-se com o Irão para tentar salvar o pacto nuclear. 

“O clima foi construtivo e as discussões foram boas”, disse Seyed Abbas, vice-ministro dos Negócios Estrangeiros. “Não posso dizer que ficou tudo resolvido”, mas todas as partes “estão determinadas a salvar este acordo”, completou. 

A delegação chinesa também demonstrou vontade de manter o acordo com o Irão. “Todas as partes expressaram empenho em salvaguardar” o pacto e em “continuar a aplicar o acordo de forma equilibrada”, afirmou o representante do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, transmitindo também a sua oposição à saída unilateral dos Estados Unido do pacto acordado entre as (então) seis potências. 

Não obstante, o clima da reunião não foi completamente amigável. Além da crescente tensão com Washington, Teerão também tem tido relações tensas com o Reino Unido. Londres deteve um petroleiro iraniano em Gibraltar - território britânico - por acreditar que a embarcação se dirigia para a Síria, o que violaria as sanções de Bruxelas ao regime de Bashar al-Assad. 

Na reunião de domingo, o Irão considerou que a apreensão do petroleiro - que carregava cerca de dois milhões de barris de petróleo - violava o pacto negociado há quatro anos. Ainda antes de a reunião ocorrer, Abbas classificou como “provocadora” a proposta britânica para que a União Europeia liderasse uma missão para escoltar navios que atravessem o estreito de Ormuz. 

 Aquela zona do globo tem sido alvo de tensão entre Teerão e os países anglo-saxónicos. Além de os EUA terem acusado o Irão de atacar dois petroleiros no estreito de Ormuz, um petroleiro britânico foi apreendido em resposta à detenção da embarcação iraniana em Gibraltar.