Economia

Quatro maiores bancos lucram 4,8 milhões/dia

CGD, BPI, BCP e Santander apresentaram resultados e todos com lucros. No total, conseguiram 862,7 milhões de euros. À exceção do BCP, todos reduziram número de trabalhadores.

Os quatro maiores bancos - BCP, BPI, Caixa Geral de Depósitos e Santander Totta - apresentaram os resultados semestrais e juntos lucraram 862,7 milhões de euros. Dividindo o valor total pelos 181 dias dos seis primeiros meses do ano, chega-se à conclusão de que, em média, os quatro bancos lucraram 4,766 milhões de euros por dia.

Ainda assim, o bolo total de lucros é inferior ao do período homólogo, altura em que estes quatro bancos arrecadaram 974,4 milhões de janeiro a junho.

O valor diário conseguido pela banca podia ainda ser maior se juntássemos os resultados do Montepio e do Crédito Agrícola, que ainda não apresentaram as contas. Fora desta média fica o Novo Banco, que apresentou prejuízos de 400 milhões de euros (ver última pág.).

A instituição bancária que conseguiu o maior lucro semestral foi a Caixa Geral de Depósitos (CGD), que somou lucros de 282,5 milhões de euros, o que representa um aumento de 46% (mais 88 milhões de euros) em relação a igual período do ano passado. Os resultados apresentados pelo banco mostram ainda que o produto gerado pela CGD até junho alcançou os 908,2 milhões de euros, o que representa um aumento de 19,1 milhões de euros (+2,1%) em relação a igual período do ano passado. A instituição bancária explica que «para esta evolução favorável contribuiu a subida da margem complementar em cerca de 34 milhões de euros», valor que «mais que compensou a descida de 15 milhões na margem financeira».

Para o presidente da CGD, os resultados são positivos, uma vez que correspondem às expectativas. «Estes resultados são positivos, são resultados expressivos numa conjuntura muito difícil», disse Paulo Macedo na apresentação de resultados. Também a atividade em Portugal gerou valores expressivos: lucro de 196,5 milhões de euros, o que compara com 118,7 milhões de euros no mesmo semestre do ano anterior. Ainda nos primeiros seis meses do ano, a margem financeira estrita chegou aos 564,6 milhões de euros, valor que representa uma diminuição de 18,4 milhões de euros face a igual período do ano anterior.

Em termos de valores, segue-se o Santander Totta, o segundo banco com o lucro mais alto dos quatro apresentados: 275,9 milhões, o que representa um aumento de 4,6% em termos homólogos. Resultados que agradam: «É um bom resultado. É o melhor resultado de uma operação em Portugal. Reflete a eficiência, terminámos com um cost-to-income de 42,5%, o que é um indicador muito bom. O banco continua a crescer, é eficiente e continua a ser muito rentável», explicou o CEO do banco, Pedro Castro e Almeida, acrescentando que o resultado foi impulsionado pela «gestão das carteiras de dívida pública», que gerou 100 milhões de euros.

O banco destaca ainda o crescimento do produto bancário, que aumentou 7,5% para 708 milhões, «beneficiando da evolução positiva das comissões, da atividade de seguros e de resultados em operações financeiras».

Segue-se o BCP que também viu o lucro crescer 169,8 milhões no primeiro semestre deste ano, o que representa uma subida de 12,7% face a igual período do ano passado. O crescimento foi «impulsionado pela expansão dos proveitos core e pela redução das imparidades e provisões».

O BCP garantiu ainda que esta evolução foi determinada pelo «bom desempenho» da atividade em Portugal, onde o resultado líquido evidenciou um crescimento de 23,2% face aos 59 milhões de euros alcançados no primeiro semestre de 2018, totalizando 72,7 milhões de euros nos primeiros seis meses deste ano.

Também a atividade internacional registou um resultado líquido positivo de 83,7 milhões de euros nos primeiros seis meses deste ano, «devido essencialmente ao desempenho das operações na Polónia e em Moçambique». 

O BCP garante ainda que a margem financeira alcançou os 740,1 milhões de euros, o que representa um aumento de 7,6% face ao período homólogo. Também aqui está destacada a atividade em Portugal: «Devido maioritariamente ao desempenho favorável da atividade internacional, mas também à evolução positiva da atividade em Portugal», destaca o banco.

Na conferência de imprensa de apresentação de resultados, Miguel Maya, presidente executivo do BCP, referiu que «a evolução da política monetária» teve um «grande impacto» no que diz respeito ao planeamento da atividade do BCP.

O único dos quatro bancos a registar quebras nos lucros foi o BPI, liderado por Pablo Forero, cujos resultados líquidos sofreram derraparam 63% no primeiro semestre deste ano para os 134,5 milhões de euros. O banco explica que a queda está diretamente relacionada com impactos positivos extraordinários no valor de 118 milhões de euros, que estão maioritariamente relacionados com ganhos com a venda de participações. Impactos esses «que não se repetiram em 2019», sendo uma das maiores contribuições para esta queda. Os resultados são ainda explicados «pela alteração da classificação contabilística do BFA [Banco de Fomento Angola] no final de 2018».

Já o lucro líquido da atividade registada em Portugal fixou-se nos 89,9 milhões de euros nos primeiros seis meses deste ano, correspondente a uma queda de 17% face ao período homólogo do ano passado.

Menos trabalhadores

Dos quatro bancos que esta semana apresentaram resultados, todos revelaram ter menos funcionários, à exceção do BCP que registou entradas líquidas de trabalhadores. Nos três outros bancos, de janeiro a junho, saíram 337 trabalhadores: 172 na CGD, 107 no Santander e 58 no BPI.

No caso da CGD, o comunicado explica que «os custos de estrutura mantém a sua trajetória descendente» e os custos com pessoal registam uma queda de 7,8%. Recorde-se que, desde que foi recapitalizada, a CGD iniciou um processo de redução de trabalhadores. Até 2020, o compromisso é reduzir o número em 2.200. 

Já no caso do BPI, Pablo Forero refere que são «saídas normais», de pessoas que mudaram para empresas vendidas ao CaixaBank.

E também o Santander se manifestou sobre a redução de funcionários, com Pedro Castro e Almeida a garantir que as saídas estão relacionadas com situações de reforma e pré-reforma. Mas deixou a promessa: «Deverão entrar entre 100 e 120 colaboradores» para o banco ainda este ano.

Desde junho de 2018, já saíram 632 trabalhadores da banca.

Malparado

Na conferência de imprensa de apresentação de resultados, Pablo Forero anunciou que o banco prepara-se para vender uma carteira de crédito malparado no valor de 200 milhões. «São 200 milhões de crédito com colateral de empresas», explicou o presidente do BPI, acrescentando que o processo de venda se encontra «em fase muito avançada» e que neste momento, existem «sete ou oito interessados que já apresentaram ofertas de compromisso». «Temos o melhor rácio de malparado em Portugal», frisou.

Também Paulo Macedo anunciou que a CGD se prepara para a venda de crédito em situação de incumprimento: 800 milhões de euros em malparado. José Brito, CFO do banco, avançou que a CGD tem «processos de venda em curso» e que estima «concretizar neste terceiro trimestre».

Paulo Macedo referiu ainda que esta operação está em curso em Portugal e «pela primeira vez» no estrangeiro.

Rentabilidade afetada?

Ainda durante a apresentação de resultados, o presidente da CGD alertou para o facto de a política das taxas de juro do Banco Central Europeu (BCE) afetar a rentabilidade dos bancos europeus. Aliás, a CGD já sofreu impacto nessa área: a margem financeira do banco recuou 3,2%, para 564 milhões face ao período homólogo. Para Paulo Macedo, o que vai acontecer é simples: «contratos (de crédito) com spreads mais altos deixarão de ser remunerados». E acrescentou: «o que me preocupa é o que deixamos de receber». É que o grande stock de crédito que o banco tem «obviamente que tem implicações» no que diz respeito à rentabilidade do banco.

Também Pedro Castro e Almeida se mostrou preocupado com a situação: «Os bancos vivem das taxas de juro», reiterou.