Sociedade

Pilotos da TAP aterram com máscaras de oxigénio

Pilotos que voaram nos novos A330 divulgaram fotografia na qual aparecem com máscaras de emergência ‘full face’. A companhia garante que não há registo de gases tóxicos, mas as tripulações continuam preocupadam com o crescente número de casos de enjoos e indisposições. Na TAP e noutras companhias.

Os problemas nos aviões A330 parecem estar a intensificar-se, havendo já casos de pilotos a aterrar com máscaras colocadas. O SOL sabe ainda que existiram mais casos de pessoas que se sentiram mal depois de viajar nestes aviões da TAP e que o problema não está a passar ao lado do cockpit. A companhia aérea portuguesa diz que continua a «desenvolver todos os esforços em prol da segurança de todos os que viajam nos seus aviões».

Segundo apurou o SOL, o problema do mau odor nos aviões novos da TAP também está a afetar o cockpit. Num voo realizado em meados de julho, o piloto e co-piloto foram mesmo forçados a usar máscaras full face, para se protegerem de possíveis gases tóxicos e do mau cheiro que invadiu a cabine. A imagem dos dois profissionais a usar máscaras foi partilhada  em grupos do Whatsapp. 

Confrontada com esta informação, a companhia aérea confirmou o uso das máscaras, mas fez questão de frisar que a segurança dos seus passageiros e tripulantes nunca esteve em causa:  «Não houve qualquer risco de segurança para clientes, tripulantes ou avião. As máscaras foram corretamente usadas, a título meramente preventivo e em conformidade com os procedimentos operacionais estabelecidos face à incerteza da origem do odor».

«O avião aterrou em total segurança, sem necessidade de qualquer prioridade ou acompanhamento especial, não tendo sido registados quaisquer efeitos posteriores em tripulantes ou passageiros», frisou a TAP, acrescentando que «em nenhum das centenas de voos feitos até à data em A330neo houve qualquer plano de aterragem alterado ou declaração de emergência relacionada com episódios de odores».

Um funcionário da companhia aérea  disse, porém, ao SOL que esta não é a primeira vez que os pilotos usam as máscaras de proteção. «Alguns pilotos já chegaram a dizer que tencionam falar superiormente para expressar a sua preocupação em relação ao que se está a passar», garantiu. 

Mais casos de enjoos

No entanto, são poucos os pilotos que denunciam situações deste género.  O próprio Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil, questionado pelo SOL sobre este assunto, preferiu não comentar o tema. Algumas fontes da companhia que preferiram não ser identificadas contam ao SOL que há «pilotos a receber milhares de euros para fazer estas viagens». E concluem: «Não é de estranhar que tenham algum receio em falar sobre o assunto». Confrontada pelo SOL, a TAP desmentiu esta informação: «não há qualquer tipo de remuneração diferencial para os tripulantes (pilotos ou tripulantes de Cabina) associada a este tipo de avião».

Os pilotos têm máscara full face para se protegerem, mas as hospedeiras e comissários de bordo não. O SOL sabe que vários tripulantes continuam a sair dos voos mal dispostos, enjoados e com dores de cabeça. «Há pouco tempo, uma hospedeira saiu do voo a oxigénio. São vários os tripulantes que se queixam de má disposição. Alguns quase desmaiam», disse ao SOL fonte da TAP que preferiu não se identificar. Uma outra fonte da companhia aérea confirmou que continuam a surgir novos casos: «acima de tudo, o que se sente é um mau cheiro insuportável».

Mas o que está na origem destes misteriorosos enjoos? Tal como o jornal i noticiou, o Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC) começou a receber queixas em fevereiro. O número de casos continua a crescer, o que levou o sindicato a anunciar, no início de julho, que, caso a TAP e a Airbus – fabricante das aeronaves – não resolvessem o problema, seria convocada uma greve. 

Numa carta enviada à TAP, antes de os casos dos enjoos serem divulgados pela imprensa, a Airbus admitiu a existência de falhas técnicas, como a libertação de gotas de óleo do motos e falhas no ar condicionado. Em declarações ao Diário de Notícias, a Airbus disse na altura que «no que diz respeito aos cheiros, foi formada uma task force» e que «as investigações técnicas estão já em curso para explorar uma lista exaustiva de potenciais causas do problema».

Além destes problemas, os tripulantes da TAP estão preocupados com os níveis de oxigénio nas aeronaves. «Estes aviões têm capacidade para levar mais pessoas. Mas os níveis de oxigénio aumentaram? A sensação que temos é que o oxigénio não é suficiente para todas as pessoas que estão dentro da aeronave», explicou fonte da companhia aérea, relantando casos de pessoas que se sentiram muito cansadas após os voos. Entretanto, a TAP instalou nos A330 medidores de oxigénio para ter a certeza que os níveis estão dentro do normal. No entanto, existe algumas dúvidas se estes estão realmente a funcionar. «Por vezes parece que não estão a trabalhar», contou uma fonte da TAPao SOL. «Alguns estão colados com fita-cola. Não parece ser algo muito fidedigno», disse outra fonte.

Confrontada pelo SOL, a TAP disse que «não há qualquer registo de gases tóxicos a bordo dos Airbus A330neo, como comprovam as dezenas de testes já realizados a bordo. Com efeito, os testes levados a cabo com o Aerotracer, equipamento que permite efetuar em tempo real e continuadamente a análise do ar na cabina do avião, indicam que a qualidade do ar nos A330neo está claramente dentro dos parâmetros e dos padrões de certificação das aeronaves». 
«Não é verdade que haja insuficiência de oxigénio a bordo dos aviões da TAP, para além da normal que resulta da altitude a que os voos são operados, facto que é transversal à indústria e independente do fabricante», acrescenta a companhia aérea.

American Airlines confirma

O Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC) confirmou ao SOL que  está a pedir aos seus associados que façam, como voluntários, testes de sangue independentes, que serão realizados em agosto e setembro, por uma entidade independente externa à companhia aérea.

«O número de casos reportados tem diminuido, mas achamos que deve ser feito algo. Esta semana recebemos queixa de mais um caso e a TAP continua a não dizer nada aos tripulantes», explicou ao SOL Luciana Passo, preisdente do SNPVAC.

A American Airlines também tem registado casos semelhantes com aviões A330. A imprensa norte-americana noticiou que, no passado dia 28 de julho, os tripulantes e passageiros de um voo que fazia a ligação entre Londres e Filadélfia começaram a sentir um «forte cheiro a meias sujas». Os pilotos pediram para aterrar de emergência em Boston.

Questionada pelo SOL sobre o que tinha acontecido, a American Airlines confirmou esta informação. «A aeronave, um Airbus A330-300 com 154 passageiros  e uma tripulação de 12 membros a bordo, aterrou em segurança às 11h48. Dez dos 12 tripulantes pediram para serem assistidos no hospital local. Tiveram todos alta mais tarde. Nenhum dos passageiros teve problemas semelhantes», explicou a companhia norte-americana.

O SOL pediu também esclarecimentos à Airbus, mas, até ao fecho desta edição, não obteve qualquer resposta.