Politica

PSD. O princípio do fim dos encontros da 'carne assada'

Ordem na direção social-democrata é reduzir os jantares-comício em que o presidente do partido marca presença.
 

O PSD já está a preparar a campanha eleitoral com reuniões entre a direção nacional e as estruturas de campanha, mas a a chamada volta nacional do presidente do partido ainda não está desenhada. Só há uma certeza: Rui Rio não terá jantares-comício todos os dias em cada distrito por onde vai passar. A ideia é realizar, alguns destes encontros, mas sem a obrigação de fazer um por dia, apurou o i junto de fontes sociais-democratas.

Esta mensagem já tinha sido passada no primeiro encontro entre cabeças-de-lista e representantes das distritais há cerca de um mês. Mais, nas estruturas distritais já se trabalha em propostas e sugestões de campanha para evitar colocar o líder do PSD em sucessivos jantares-comício como tem acontecido em outras campanhas para as legislativas.

A ordem é para reduzir este tipo de eventos quando se definir a volta do líder entre a última semana de agosto e a primeira semana de setembro, avançou o Expresso.

Desta forma, a direção do PSD introduz a solução ideal para resolver dois problemas: por um lado, garantir o discurso da inovação em campanha, prometido nas eleições europeias, e, por outro lado, superar o maior desafio da equipa liderada por Rui Rio, o da desmobilização interna, sobretudo entre os seus apoiantes que ficaram agastados com a formação das listas.

 Assim, o chamado modelo tradicional de campanha, com comícios e jantares diários ficará sobretudo para os cabeças-de-lista de cada distrito, ou seja, com uma dimensão local. A volta do líder será avaliada ao pormenor para que Rio passe por todos os distritos sem uma campanha com momentos em que se contam as cadeiras em falta ou se dá a imagem de que a mobilização para um comício é alcançada muito por conta da chegada de autocarros , oriundos de outros pontos do país. 

Já as estruturas distritais terão de apostar num contacto porta-a-porta, até para os cabeças-de-lista e candidatos de cada círculo apresentarem o seu programa eleitoral.

Rio regressa de férias O presidente social-democrata termina o período de férias em Viana do Castelo esta semana e é expectável que já terá agenda perto do fim de semana. Nestes dias de pausa acabou por responder à crise dos combustíveis via twitter, acusando o Governo de “encenar” um circo, pedindo mais discrição para resolver o problema. 

A rentrée do partido arranca a dois tempos, primeiro com a Festa do Pontal, a 31 de agosto, em Monchique, e depois no encerramento da Universidade de Verão da JSD, em Castelo de Vide, a 1 de setembro. Rio participará e discursará nos dois eventos, sendo que, no primeiro, irá repetir-se a ideia de 2018, com torneios de futebol e jogos tradicionais. A novidade, segundo o líder da distrital do PSD/Faro, David Santos, é a de cada distrito ter a sua banca na festa, a pensar nas legislativas. Ao i, David Santos assumiu que deseja ter 1500 pessoas na festa: “É para isso que estamos a trabalhar”, disse o dirigente.

Gonçalves descola Entretanto, ontem um dos apoiantes da primeira hora de Rui Rio assumiu a descolagem num artigo de opinião no jornal Público. Rodrigo Gonçalves, que se viu envolvido recentemente numa polémica sobre perfis falsos nas redes sociais, escreveu um artigo intitulado “Portugal sem oposição”. O ex-dirigente de Lisboa defendeu que é “ urgente que o atual PSD perceba que não é o Presidente da República que vai fazer o seu trabalho. É fundamental que o atual PSD perceba que é fundamental promover a reconciliação interna (em vez de excluir e dividir) para poder estar forte e coeso nos combates eleitorais”. Ora, o seu nome chegou a ser apontado no círculo eleitoral de Lisboa como candidato, mas nem chegou a ser colocado nas listas. O próprio disse à Lusa que recusou um 12º lugar na equipa, no passado dia 30.