Politica

“Efeito Pedrógão” mudou combate aos incêndios em Portugal

Emanuel Oliveira junta o clima e a campanha do Governo como causas da mudança.

O mês de julho de 2019 foi o mês mais quente de sempre no mundo e Portugal não foi exceção. O início do mês de agosto não mostrou sinais de abrandamento, mas a segunda semana do mês trouxe chuva e deu descanso às unidades de combate aos fogos. Nesta terça-feira, foram registadas 75 ocorrências de incêndios, enquanto na quarta-feira foram cerca de 50. Números bem menores que no início do mês.

Emanuel Oliveira, analista de gestão de risco de incêndio, afirma, porém, que a meteorologia não é o único fator a contribuir para este abrandamento. “Há uma campanha muito forte para reduzir as ocorrências e tem-se notado um maior cuidado da população de norte a sul do país”.

Em declarações ao i, o analista refere que o ano de 2017, do incêndio de Pedrógão Grande e do fatídico fim de semana de outubro, causou o que chama de “efeito Pedrógão”, uma vez que, desde aí, “o Governo tem vindo a implementar medidas muito rápidas por parte dos dispositivos”. Recordou que estes níveis de ocorrências não se verificavam desde 2014, ano em que menos ardeu”. Segundo Emanuel Oliveira, são três os “fatores bem associados” que têm possibilitado este recente abrandamento da escala e número de ocorrências: “Uma meteorologia favorável a Norte do Tejo, uma forte campanha que se fez para reduzir o uso sem cuidado do fogo” e ainda o “melhor estado dos combustíveis, a área florestal, que apresenta menos problemas e estão a um nível positivo para esta altura do ano.”

Segundo este membro da Quercus, o efeito traumático causado por Pedrógão - e por casos como o incêndio da Grécia em 2018 - levou a que mesmo ocorrências menores, como as que se verificaram nestes dias, sejam combatidas com meios mais “robustos.” 

Para o analista, “mais do que o número de bombeiros, é necessário questionar qual a área ardida”. “Temos casos em que são utilizados meios aéreos só por causa de três hectares - isto tem um custo muito elevado”, recorda, deixando o conselho: “Temos que começar a fazer prevenção à escala dos grandes incêndios florestais, para estarmos prontos em situações futuras”.