Economia

Sindicato acusa Ryanair de substituir grevistas por trabalhadores de bases estrangeiras

Tribunal irlandês bloqueou greve prevista para quinta e sexta-feira. 

 

A presidente do Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNVPAC) acusou a Ryanair de estar a substituir os grevistas por trabalhadores de bases estrangeiras. “A Ryanair levou ontem [terça-feira] aviões de bases portuguesas para fora, levou-os vazios, trouxe-os com tripulantes de outras bases estrangeiras, e fez os voos como sendo da base Porto, Faro, Ponta Delgada, o que seja, para outro destino da Europa, operando normalmente, mas substituindo os tripulantes que fizeram greve mas não se apresentaram ao serviço”, denunciou Luciana Passo no dia em arrancou a paralisação e que vai durar até domingo, contando, no entanto, com serviços mínimos decretados pelo Governo. Trata-se, no entender da responsável, de uma operação “ilegal” e que  já denunciada à Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) e à Direção-Geral do Emprego e Relações do Trabalho (DGERT).

A presidente da estrutura sindical referiu também que estão a ser cumpridos os serviços mínimos, apesar de os considerar “excessivos”. “Substituir trabalhadores grevistas é outra coisa. É ilegal, e é aquilo que a Ryanair faz reiteradamente e que espera que nada lhe aconteça. Isso não se pode fazer”, afirmou.

A companhia aérea já desvalorizou esta situação ao garantir que, no primeiro dia da greve dos tripulantes, apareceram “mais funcionários” do que o necessário “para o trabalho desta manhã” nos quatro aeroportos nacionais em que opera. “Gostaríamos de agradecer a toda a nossa tripulação de voo de Portugal que optou por trabalhar e garantir assim a viagem dos nossos clientes e das suas famílias”, referiu. 

Já em relação ao SNPVAC fez um apelo para cancelar as graves e regressar às negociações, uma vez que, considera que estas paralisações “não são apoiadas pela vasta maioria dos tripulantes de voo da Ryanair de Portugal”.

Também a secretária de Estado do Turismo esteve reunida com a companhia de aviação, em Dublin, para debater “a competitividade” do aeroporto de Faro, nomeadamente com a manutenção da base e os 100 postos de trabalho em causa, bem como alargar a presença da companhia aérea ao Funchal. Ana Mendes Godinho disse apenas que o Governo está “a trabalhar para manter a competitividade do aeroporto de Faro, concretamente no inverno, e combater a sazonalidade, trabalhando com todas as companhias aéreas e criando as condições para que os aeroportos de Faro e do Funchal tenham capacidade de facto de manter a competitividade aérea ou até reforçar”.

Tribunal irlandês bloqueia greve

No dia em que arrancou a paralisação em Portugal foi revelado que Tribunal Superior de Dublin bloqueou a greve de pilotos irlandeses da companhia aérea de baixo custo Ryanair prevista para quinta e sexta-feira. Os advogados da companhia, com sede na Irlanda, argumentaram que o sindicato de pilotos não permitiu que as negociações chegassem a uma conclusão antes de anunciar a greve.

O sindicato, que representa 180 pilotos irlandeses que trabalham para a Ryanair, alegou que a empresa simplesmente ignorou a proposta apresentada pelos pilotos com as reivindicações salariais e laborais. Um tribunal de Londres está também a avaliar um pedido urgente da Ryanair para impedir uma greve dos pilotos britânicos da companhia.