Politica

José Sócrates reage a afirmações de Costa sobre o seu mandato

No artigo, o antigo primeiro-ministro diz sentir-se “desconfortável” com as afirmações de Costa, visto este ter trabalhado consigo durante o seu mandato enquanto ministro de Estado e da Administração Interna até maio de 2007.

José Sócrates diz, num artigo de opinião publicado no Expresso, este sábado, ser "insuportável assistir, sem reagir" aos comentários de António Costa, que considera serem “ataques à história do PS e aos anteriores governos socialistas".

António Costa declarou recentemente numa entrevista que "os portugueses têm má memória das maiorias absolutas, quer as do PSD quer a do PS". Recorde-se que José Sócrates obteve em 2005 a primeira e única maioria absoluta para o Partido Socialista em eleições legislativas.

"Sim, não têm boa memória da maioria absoluta do PS, nem terão - pelo menos enquanto a direção do PS se mantiver apostada em desmerecê-la, juntando-se, assim, ao discurso de todos os outros partidos que têm óbvio interesse político em fazê-lo", escreve José Sócrates.

O antigo primeiro-ministro  aproveita para sublinhar que foi apenas quando este estava no comando que o PS conseguiu alcançar a maioria absoluta e destaca alguns dos pontos positivos. “Esse Governo conseguiu, em dois anos, tirar o país do défice excessivo em que se encontrava e, no mesmo período, alcançar o maior crescimento económico verificado nesses anos difíceis (2007)".

No artigo, este diz sentir-se “desconfortável” com as afirmações de Costa, visto este ter trabalhado consigo durante o seu mandato enquanto ministro de Estado e da Administração Interna até maio de 2007.

"Nunca me ocorreu vir a encontrar-me na desconfortável situação de ter de recordar a alguém que o Governo que agora maldiz foi, afinal, um Governo no qual participou. Também nunca imaginei que alguém pudesse conceber como estratégia para ter maioria absoluta desacreditá-la enquanto solução política", sublinha.

Na visão de Sócrates, as afirmações do atual primeiro-ministro têm um objetivo por trás: conquistar a maioria absoluta. Costa " parece querer dizer é que todas elas [as maiorias absolutas 'são horríveis - com exceção daquela que ele próprio obterá e que se diferenciará das outras justamente por ter sido obtida escondendo essa ambição e até negando esse propósito", pode-se ler no artigo. 

O antigo primeiro-ministro socialista diz sentir-se atacado de "forma injusta" pela direção do PS e acusa-a de estar a fazer uma "diabolização dos seus próprios governos".