Internacional

Pior agosto na Amazónia desde 2010

Número de incêndios superou a média dos últimos 20 anos, mas não bate recorde. Pior ano foi 2005. Queimadas estão proibidas.

Ainda não é conhecida a área ardida, mas confirma-se que o mês de agosto foi especialmente severo na floresta amazónica em território brasileiro. As estatísticas  do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) revelam que desde 2010 não eram registados tantos incêndios no mês de agosto na zona da floresta tropical, designada de bioma. Até dia 29 foram detetados 29 359 focos de incêndio, quando a média nos últimas duas décadas foi de 25 853 incêndios neste mesmo mês. 

Apesar do aumento dos fogos, não foi batido o recorde histórico de agosto de 2005 (63 764). Os dados do INPE mostram, contudo, que na última década tem havido menos incêndios no mês de agosto, que marca o início da época de fogos na região. O ano passado tinha sido um dos melhores desde que há registos, com apenas 10 421 ocorrências, número que praticamente triplicou este ano. O receio de que se esteja a inverter a tendência, com a área desmatada a aumentar a cada mês, é partilhado por investigadores e ativistas ambientais, que alertam para o risco para as comunidades indígenas e para o planeta: a região captura CO2 e ajuda a estabilizar o aquecimento global.

Não é apenas a Amazónia que tem estado a arder no Brasil, mas os dados do INPE revelam que 51,9% dos incêndios registados este ano no país incidem sobre este bioma. Existe ainda o conceito administrativo de Amazónia Legal, que abrange os estados na bacia amazónica. E se em todos o número de incêndios superou a média, no Amazonas foi mesmo batido o recorde histórico. 

 Depois de ter anunciado um reforço dos meios de combate, o Presidente Brasileiro assinou um decreto a proibir queimadas nos próximos 60 dias. Já esta sexta-feira, o vice-Presidente brasileiro Hamilton Mourão reconheceu erros. «Todos os anos, nós sabemos que agosto, setembro e outubro são meses de seca e de queimadas. Compete às entidades governamentais, em todos os níveis, travar o combate às ilegalidades cometidas neste momento”, afirmou, citado pelo Globo, depois de inicialmente o Planalto ter desvalorizado o que se estava a passar na região. 

A diminuição na fiscalização e o aumento do abate de árvores para exploração agro-pecuária são alguns dos factores apontados como catalisadores dos fogos deste ano. Investigadores brasileiros alertaram mesmo que se verifica uma maior concentração de incêndios em áreas recém-desmatadas, «um forte indicativo do caráter intencional dos incêndios: limpeza de áreas». Também a convocação de um ‘Dia do Fogo’ no Estado do Pará, a 10 de agosto, está agora a ser investigada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal.

O jornal Folha do Progresso noticiou no início do mês que o ‘protesto’ estava a ser convocado no whatsapp por produtores locais para mostrar a Jair Bolsonaro a importância do desmatamento e do uso de fogo para limpeza das pastagens. Esta semana, a agência Amazónia Real revelou que funcionários do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis pediram apoio à Força Nacional de Segurança, sob a tutela do Ministério da Justiça, para reforçar a fiscalização e deter a manifestação, o que terá sido negado. «O Moro sabia. A gente sempre precisa de segurança nas operações de combate aos desmatamentos e queimadas», disse um fiscal citado pelo site noticioso. O INPE viria a detetar um aumento de 300% no número de queimadas na região.