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Operadora do 112 ignora pedido de socorro de mulher e esta acaba por morrer afogada

A certo ponto, a vítima disse: "Tenho muito medo. Nunca me aconteceu nada deste género" e a funcionária assegurou que, assim, aprenderia a não conduzir dentro de água e não faria o mesmo "da próxima vez". 

 

Debbie Stevens, de 47 anos, estava a entregar jornais na zona ribeirinha de Fort Smith, no estado norte-americano do Arkansas, quando a água do rio invadiu o seu carro. Desesperada, a mulher contactou os serviços de emergência e explicou a situação que estava a viver. "Por favor, ajudem-me. Não quero morrer", começou por dizer, obtendo como resposta, da parte da operadora, Donna Reneau: "Não vai morrer. Não sei por que raio está tão nervosa. Está tudo bem". Sem saber o que fazer, Stevens rematou, entre lágrimas: "Peço desculpa, não sei o que hei de fazer" sendo que, do outro lado da linha, ouviu: "Compreendo mas está demasiado nervosa, apenas a perder o seu oxigénio. Por isso, tente acalmar-se". Num tom jocoso, Reneau esclareceu que os bombeiros chegariam ao local "assim que chegassem", não dando quaisquer explicações detalhadas a Stevens. 

A certo ponto, a vítima disse: "Tenho muito medo. Nunca me aconteceu nada deste género" e a funcionária assegurou que, assim, aprenderia a não conduzir dentro de água e não faria o mesmo "da próxima vez". Sempre respondendo de forma respeitadora, Stevens lamentou as suas atitudes mas a operadora continuou a negligenciar a sua urgência: "Não sei como é que não percebeu aquilo que estava a fazer", afirmou. Enquanto conversavam, o veículo de Stevens encheu-se de mais água. Deste modo, a ajuda chegou doze minutos após o início da chamada, as autoridades demoraram uma hora a encontrar o veículo de Stevens e, quando a descobriram, já tinha morrido afogada.

À revista Newsweek, o chefe da polícia de Fort Smith, Danny Baker, avançou que compreende a revolta que a população sente relativamente ao sucedido no passado dia 24 de agosto e divulgou que Reneau será suspensa durante duas semanas. "Percebo que ao ouvirmos alguém a passar por aquilo que a Sra. Stevens passou, nos momentos finais da sua vida, pensamos que ela devia ter tido uma resposta melhor. Não quero que ninguém interaja com um cidadão daquela forma, independentemente de ser uma situação de vida ou de morte" declarou Baker que acabou por justificar as ações da operadora: "Ela não teve noção da gravidade da situação. Estamos a investigar o comportamento dela mas não fez nada criminoso. Creio que também não violou as nossas regras" deixou claro, porém, enviou uma mensagem de compaixão aos familiares e amigos da vítima mortal: "Estou devastado com esta tragédia. Os bombeiros e agentes da polícia que tentaram salvar a Sra. Stevens estão muito mal com a conclusão desta história. Salvar vidas é aquilo que fazemos" revelou Baker. 

"Ela era uma mulher extremamente trabalhadora, muito dedicada ao trabalho. Entregava jornais quando estava a nevar e ninguém o fazia" clarificou uma amiga de Stevens, Latonya Stolz, ao jornal Times Record, acrescentando que "fazia tudo pelo trabalho e para agradar as pessoas".