Internacional

Ataque aéreo saudita mata mais de 100 pessoas no Iémen

Ataque fez pelo menos 50 feridos. Iémen atravessa maior crise humanitária do mundo. 

Um ataque aéreo realizado pelas forças de coligação saudita a um centro de detenção Houthi matou mais de 100 pessoas no Iémen, de acordo com as informações avançadas pela Cruz Vermelha depois de ter visitado o terreno, no domingo. É o ataque mais mortal da coligação este ano. 

A coligação liderada pela Arábia Saudita, que apoia o Governo do Iémen reconhecido internacionalmente, afirmou num comunicado através da televisão estatal saudita que o ataque tinha como alvo uma instalação dirigida pelos rebeldes Houthis - que de acordo com estes, armazenava drones e mísseis. No entanto, a afirmação foi imediatamente negada pelos rebeldes, garantindo que se tratava de uma prisão. 

“Testemunhar estes danos massivos, vendo os corpos caídos entre os escombros foi um choque real”, confessou Franz Rauchenstein, o diretor do Comité da Cruz Vermelha para o Iémen, ao Washington Post, acrescentando que os prisioneiros estão protegidos pela lei internacional: “Pessoas que não estão a combater não deviam morrer desta forma”.

Em comunicado publicado no domingo, o enviado especial das Nações Unidas para o Iémen, Martin Griffiths, afirmou que a prisão albergava cerca de 170 prisioneiros. Segundo o mesmo documento, pelo menos, 60 pessoas morreram, 50 estão feridos e 68 detidos continuam desaparecidos. “O custo humano desta guerra é insuportável. Temos que pará-la”, sublinhou Griffiths citado pelo comunicado. 

Nazem Sale estava entre aqueles que guardavam o estabelecimento prisional e afirmou à Associated Press: “Estávamos a dormir e por volta da meia noite, foram três, quatro ou seis ataques aéreos”. E continuou: “Tinham a prisão como alvo, não sei mesmo o número de ataques aéreos. Éramos por volta de 100 ou 150”. 

O edifício era uma antiga universidade e já tinha sido anteriormente destruído pelos sauditas, segundo a Al Jazeera.

O Iémen atravessa e a maior crise humanitária no globo. Cerca de 80% da população, de 24,1 milhões de pessoas, necessitam de ajuda e proteção humanitária - 10 milhões estão a um passo da fome extrema e sete milhões encontram-se malnutridas. 

A guerra civil arrancou no Iémen em 2015, depois do movimento rebelde Houthi - organização xiita apoiada pelo Irão - ter capturado a capital, Sanã: a maior parte do norte do país.