Politica

PSD vs PAN. "O PAN é atualmente um partido de nicho que consegue o voto de muita gente que está descontente com o sistema político"

Os políticos foram questionados sobre o que mudaram, tanto na sua vida pessoal como profissional, desde que o período de emergência ambiental foi declarado. Enquanto Rio defende ter mudado a caldeira da sua casa, ter gastado 1200 euros e ter o recibo consigo, se for necessário mostrar, o porta-voz do PAN diz andar de transportes públicos, não comer carne, nem produtos de origem animal.​

Bruno Gonçalves
Bruno Gonçalves

Esta segunda-feira é marcada pelo primeiro debate entre o líder do PSD, Rui Rio, e o porta-voz do PAN, André Silva.

Rio começou o debate por explicar o que pensa sobre o partido Pessoas - Animais - Natureza. Na sua visão, este é um partido muito “aguerrido" aos animais, baseado “quase só nisso”, e também focado no ambiente. Para Rio, o PAN é atualmente um partido de nicho que “consegue o voto de muita gente que está descontente com o sistema político".

Quando questionado se imagina uma possível parceria com André Silva, Rio diz que tudo irá depender das exigências do PAN e que seria necessário estes serem mais "equilibrados" para que os partidos se tornassem parceiros, no entanto, conversar é fácil e está ao alcance de todos.

Durante o debate, André Silva acusou o PSD de não ser um partido Social Democrata e diz que o partido de Rio está muito deslocado à direita, o que faz os portugueses sentirem "um vazio político no campo do centro".

O líder do PAN sublinha que o PSD não tem "uma única proposta para os animais" e apresenta uma "estratégia do século passado". Na sua visão, o partido "não tem um programa para a economia do século XXI".

Depois de André Silva sublinhar a importância de implementar um sistema nacional de saúde para os animais, Rio mostra-se contra, visto o Sistema Nacional de Saúde "funcionar pior que mal". "Eu prefiro pegar no dinheiro e dar ao Sistema Nacional de Saúde (SNS) ou desenvolver a economia para os idosos terem dinheiro para tratar dos seus animais" acrescentou. 

Ao falar da emergência climática, André Silva diz que temos de colocar toda a nossa energia para que, até 2030 não atinjamos o ponto de não retorno, uma ideia que não encontramos no projeto do PSD. “Temos de adequar o modelo económico à sustentabilidade”, afirma.

Rio mostrou-se a favor da ideologia do PAN no que toca ao ambiente. "Nós temos de perceber que o planeta que vamos deixar tem de ter condições de habitação como temos, o que já não vai acontecer. É preciso apostar nas energias renováveis e na economia circular" disse. 

O Aeroporto do Montijo foi um dos temas debatidos. Depois de Costa ter declarado esta segunda-feira que a construção do Aeroporto do Montijo é a única hipótese, indo contra os ideais do PSD, que defende uma "reapreciação da solução Alcochete" para a construção do novo Aeroporto de Lisboa, Rio volta a afirmar não ter mudado de opinião mas que a construção da infraestrutura no Montijo não está totalmente fora de hipótese.

"O PSD não tem aqui no seu programa, Montijo zero. O que precisamos é de um estudo de impacto ambiental e se todo o debate público mostrar que o impacto é desnecessário então temos de averiguar isso", declarou.

Também André Silva se mostra reticente quanto à construção da infraestrutura no Montijo. "Precisamos, antes de mais, de perceber qual a capacidade de carga turística do país e só a partir daí ter políticas de expansionismo", disse. 

Para fechar o debate, os políticos foram questionados sobre o que mudaram, tanto na sua vida pessoal como profissional, desde que o período de emergência ambiental foi declarado. Enquanto Rio defende ter mudado a caldeira da sua casa, ter gastado 1200 euros e ter o recibo consigo, se for necessário mostrar, o porta-voz do PAN diz andar de transportes públicos, não comer carne, nem produtos de origem animal.​