Sociedade

Homicida aplicou golpe “mata-leão” e violou freira depois de morta

Alfredo “Tito” convenceu a religiosa a entrar em sua casa sob o pretexto de tomar um café.

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“Tona”, conhecida freira progressista de São João da Madeira, foi violada depois de morta por um cadastrado com quem recusou ter relações sexuais – crimes que estão a chocar não só aquela cidade da zona norte do distrito de Aveiro como todo o país, dados os contornos do assassínio de Maria Antónia Guerra de Pinho, de 61 anos, que agora vivia com a mãe.

A freira, da congregação das Servas de Maria Ministra dos Enfermos, dedicou mais de 40 anos à instituição religiosa, conhecida pela sua generosidade e entrega aos mais desfavorecidos, que visitava em suas casas, de dia e de noite, bem como nos hospitais. As viagens eram muitas vezes feitas na scooter que os amigos lhe ofereceram, depois de ter andado de bicicleta durante muitos anos. Só recentemente é que tirou a carta de condução.

A irmã Maria Antónia, tratada carinhosamente como “Tona”, tinha sido manchete da última edição do semanário O Regional, de São João da Madeira, na quinta-feira, onde surgia com a sua imagem de marca: de hábito branco, a conduzir uma scooter preta.

Mesmo depois de ter deixado de residir na casa do Porto da sua congregação – para tomar conta da mãe –, Maria Antónia continuava a prestar auxílio diariamente a quem carecia, fazendo jus aos votos que tomou no noviciado em finais da década de 1970, tendo servido em Itália e Espanha.

Na sua juventude, Maria Antónia chegou a ser operária fabril, dedicando-se ao fabrico de chapéus, numa indústria histórica de São João da Madeira, antes de ter enveredado pela vida religiosa.

Agora frequentava um ginásio em São João da Madeira, sendo por isso considerada uma “freira radical”, dadas as suas ideias consideradas progressistas.

Cadastrado reincidiu O autor do crime, um cadastrado de São João da Madeira, Alfredo “Tito”, de 44 anos, já reincidente, tinha saído da cadeia há três meses, depois de cumprir dois terços de uma pena de 16 anos de prisão, por crimes idênticos. “Tito” começou por tentar enganar os inspetores da Brigada de Homicídios da Polícia Judiciária do Porto ao afirmar que teria sido um ato sexual alegadamente consentido pela própria religiosa, mas que tinha “corrido mal”, acabando Maria Antónia por falecer de morte natural na sua residência. No entanto, em poucas horas, a PJ do Porto esclareceu os contornos fundamentais do caso.

É que, afinal, “Tona”, a freira sexagenária conhecida por ajudar os mais pobres e também os toxicómanos, tinha dado boleia no seu automóvel ao cadastrado, na manhã de domingo, quando se dirigia para a missa. O autor do crime convidou-a a tomar um café, em sinal de agradecimento. Não desconfiando das intenções criminosas de Alfredo “Tito”, a freira aceitou entrar na residência onde o cadastrado vivia com um irmão e com a mãe de ambos e foi convidada para manter relações sexuais, o que prontamente recusou, segundo referiu “Tito” à Polícia Judiciária. O autor do crime, revoltado com a recusa, aplicou-lhe o chamado golpe “mata-leão”, estrangulando-a desse modo, e depois praticou atos sexuais já com a vítima morta – uma situação de necrofilia –, abandonando depois o cadáver na cama.

O detido, toxicodependente e desempregado, com 44 anos e antecedentes criminais, será presente à autoridade judiciária competente, que é o Tribunal de Instrução Criminal, para realizar o primeiro interrogatório judicial e para a aplicação das respetivas medidas de coação.