Economia

Turismo. EUA, China e Brasil impedem maior queda do setor

A euforia em torno do turismo continua a dar sinais de algum abrandamento. Em julho, as dormidas no alojamento turístico cresceram 2,2% para 8,2 milhões.

Depois de Portugal ter atingindo recorde atrás de recorde, o turismo volta a dar sinais de abrandamento. O setor do alojamento turístico registou 2,8 milhões de hóspedes, responsáveis por 8,2 milhões de dormidas em julho. Ainda assim, os proveitos totais aumentaram 6,2% - um crescimento inferior em relação a meses anteriores -, atingindo os 537,8 milhões de euros, enquanto os proveitos de aposento subiram 5,1% (quando no mês anterior tinham subido 12,1%) para os 417,6 milhões de euros, revelaram dados do Instituto Nacional de Estatística (INE). 

Esta desaceleração em termos de faturação poderá ser explicada, em média, pelo recuo da estada média. Contabilizando as estadias nos vários alojamentos turísticos, assistiu-se a uma redução de 3% na estada média dos turistas, sobretudo à conta dos visitantes não residentes (-3,6%), destacando-se igualmente uma quebra na taxa líquida de ocupação, que se ficou pelos 60%, menos 1,7 pontos percentuais face a julho de 2018. 

Em relação a tipologias, o INE aponta que “as dormidas na hotelaria (82,2% do total) registaram um ligeiro aumento de 0,8% em julho. As dormidas nos estabelecimentos de alojamento local (peso de 14,5% no total) cresceram 11,4% e as de turismo no espaço rural e de habitação (quota de 3,2%) aumentaram 2%”.

 

Portugueses com maior crescimento Só o mercado interno contribuiu com 2,5 milhões de dormidas, o que se traduziu num aumento de 2,7% (+12% em junho). As dormidas dos mercados externos (peso de 69,4% em julho) cresceram 2% (+3,7% em junho) e atingiram 5,7 milhões. Nos primeiros sete meses do ano, as dormidas aumentaram 4,2%, com contributos positivos quer dos residentes (+7,6%), quer dos não residentes (+2,9%).

O mercado alemão, responsável por 10% dos turistas que visitam Portugal, prolongou a tendência de decréscimo em julho, com menos 3,8% de visitantes - alargando a quebra para 6,2% entre janeiro e julho -, sendo também de destacar a quebra de turistas oriundos dos Países Baixos, que se acentuou em julho para -8,7%, valor que no acumulado do ano está em -7,6%. Além destes dois mercados emissores, também há cada vez menos turistas belgas a procurar Portugal (-8,1% em julho, -5,4% no total do ano), assim como suíços (-1,9% e -1,7%), suecos (-11,5% e -3,2%) ou dinamarqueses (-7,1% e -2,1%), tudo mercados onde o poder de compra é superior à média europeia.

Em sentido contrário, de acordo com o organismo, evoluíram os mercados brasileiro, norte-americano e chinês. No caso dos dois primeiros registaram-se subidas de 18,3% e 10,3%, respetivamente, com estes países a responderem agora por 5,9% e 5,7% do total e acumulando subidas de 13% e 19% entre janeiro e julho. “São também de salientar os aumentos em julho nos mercados chinês (+15,6%) e irlandês (+11,7%)”,  diz o relatório.

 

Norte em destaque Todas as regiões do país registaram aumentos na procura de dormidas à exceção da Região Autónoma da Madeira, onde o total de dormidas em julho caiu 4,1% face ao mesmo mês do ano passado, com o arquipélago a assistir assim a uma intensificação da quebra que já vinha sentindo este ano. Em sentido contrário, o Alentejo (+3,3%), a Área Metropolitana de Lisboa e a Região Autónoma dos Açores (ambas com +2,3%) foram as zonas que registaram as maiores subidas em julho.

Desde o início do ano, o mercado nacional registou 38,7 milhões de dormidas em estabelecimentos de alojamento turístico, mais 4,2% que nos primeiros sete meses de 2018, com todas as regiões a contabilizarem crescimentos na procura à exceção da Madeira, que desde o início do ano acumula uma quebra de 3,4% no total de dormidas, com cada vez menos visitantes não residentes em Portugal - menos 4,4% desde janeiro.

O certo é que, no total de dormidas registadas em julho, 16,3% concentraram-se em Lisboa, que totaliza 20% das dormidas desde o início do ano. Já Albufeira apresentou pesos de 15% nas dormidas em julho e de 12,3% no conjunto dos primeiros sete meses do ano, verificando-se que, neste período, as dormidas de não residentes representaram 80,1% do total neste município e corresponderam a 13,9% do total nacional de dormidas de não residentes.

O Funchal representou 5,6% das dormidas totais em julho e 7,6% desde o início do ano, período em que 89,7% das dormidas foram de não residentes. No Porto registaram-se 5,6% das dormidas totais em julho e 6,4% do total desde o início do ano. Os não residentes representaram 82,1% das dormidas registadas no conjunto dos primeiros sete meses do ano.

De acordo com o INE, de janeiro a julho, entre os municípios mais representativos no total nacional, Matosinhos sobressaiu com a maior quota de residentes (61,2%), seguindo-se Braga (53,0%). Neste período, os não residentes foram especialmente predominantes (92,8%) no município de Santa Cruz (RA Madeira).

 

Investimentos mantêm-se Apesar de começar a dar sinais de abrandamento, o número de turistas que continua a chegar ao nosso país basta para não afastar o interesse dos investidores nem travar o aparecimento de novos hotéis. Os números falam por si: só este ano deverão surgir mais 65 novas unidades - só em Lisboa são esperados 22 hotéis e o Porto deverá receber 15 -, traduzindo-se num aumento de mais de 570 quartos. Estão previstas ainda 15 remodelações, com a capital a ser alvo de quatro, reforçando a oferta em mais 986 quartos. 

Lisboa e Porto são as áreas que registam o maior número de dormidas de turistas e são também aquelas que têm tido maior procura por parte dos investimentos hoteleiros. 

Ainda que o foco esteja nas grandes cidades, o resto do país não fica esquecido. Estão previstos, além de sete novas unidades hoteleiras e uma remodelação no Centro, cinco novos hotéis para o Alentejo e duas remodelações. Também os Açores e a Madeira vão ser reforçados com mais uma e três unidades, respetivamente. 

Aliás, estes números vão ao encontro do estudo avançado pela Deloitte que diz que 62% dos investidores estão a pensar em apostar no setor para os próximos 12 meses. Já quando questionados sobre o volume e preços de transação para os próximos três meses, 38% acreditam que deverão aumentar; já 62% admitem que serão iguais ao que estava previsto.

O certo é que grande parte destes novos hotéis já estavam previstos para 2018. Mas por atrasos nas obras e por outros motivos, nomeadamente de licenciamento ou falta de mão-de-obra, a sua construção foi adiada para 2019, como reconheceu ao i a presidente executiva da Associação da Hotelaria de Portugal, Cristina Siza Vieira.