Economia

Aviação. Tripulantes com níveis de exaustão emocional “preocupantes”

São poucos os funcionários que não exibem sinais de exaustão. Ryanair está no topo da lista das companhias com índices mais altos.

Um estudo apresentado esta segunda-feira pelo Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC) revela que os tripulantes de cabine dos aviões apresentam índices de exaustão emocional “preocupantes”. Os funcionários da Ryanair aparecem no topo da lista.

O relatório, feito com base em mais de 1300 inquéritos, conclui que poucos profissionais não exibem sinais significativos de esgotamento emocional”. O estudo mostra que “35,24% dos profissionais apresentam sinais muito elevados de exaustão emocional”, 33,18% têm “alguns sinais preocupantes de exaustão emocional”, “16,4% dos profissionais têm sinais críticos de exaustão emocional” e 6,33% estão no nível “exaustão emocional extrema”.

O sindicato revela que existem três companhias aéreas com resultados negativos no que diz respeito ao esgotamento emocional dos seus funcionários: a Ryanair, que encabeça a lista, a Azores Airlines e a easyJet. A TAP apresenta melhores resultados, mas “tem muitos profissionais, mais do que a média esperada, no quarto escalão de esgotamento emocional (entre os 30 e os 39 pontos), o que poderá indicar que no futuro, se a situação não for combatida e se as condições de trabalho degenerarem, estes trabalhadores poderão cair para estádios mais avançados em esgotamento emocional, típicos de desgaste”, refere o documento. Recorde-se que, na semana passada, Luciana Passo, do SNPVAC, disse ao i que os tripulantes da TAP tem dado sinais de cansaço extremo devido  “ao aumento da carga de trabalho e do esforço exigido”.

“Umas companhias apresentarem melhores resultados do que outras não significa que não tenham índices preocupantes, significa que há situações extremas nas companhias a seguir mencionadas: a Air Azores, acima da média, a easyJet, grave, e a Ryanair, muito grave”, destaca o estudo.

Assédio e realização pessoal Quanto ao assédio moral no trabalho, o estudo conclui que a TAP apresenta os níveis mais reduzidos “e estes são dados muito seguros, pois a amostra para esta companhia é elevada: nesta questão aparecem 1.019 membros desta companhia a responder”. Já a Ryanair apresenta níveis muito elevados: “os valores reportados pelos respondentes são extremamente altos e preocupantes, com 225% de assédio acima do valor esperado, e valores médios muito acima de todas as outras companhias”.

Apesar de tudo isto, o relatório mostra que “o pessoal de voo apresenta um elevado índice de realização profissional nos termos do estudo”, com 40,1% a exibir “sinais elevados de realização profissional”.