Sociedade

Diretor da PJM pediu ‘cunha’ a chefe da Casa Militar de Marcelo para ficar com a investigação

Conversas aconteceram por mensagem, emails e telefone.

Os contactos entre o diretor geral da PJM e Belém foram muitos, tal como os que foi mantendo com o ministro da Defesa e com o seu chefe de gabinete, Martins Pereira. Só que com Belém o seu interlocutor era sempre João Cordeiro, então chefe da Casa Militar de Marcelo Rebelo de Sousa. Algumas das conversas descritas na acusação aconteceram após a reunião à porta fechada no dia em que Marcelo visitou os Paióis de Tancos, momento aproveitado por Luis Vieira para tentar reverter a decisão da PGR de entregar a investigação à Judiciária Civil.

Os contactos que se seguiram a essa reunião tinham o objetivo de perceber se as suas palavras tinham surtido efeito junto do Presidente da República, conclui a acusação. Num dos emails, enviado a 31 de julho, Luís Vieira vai direto ao assunto: “Meu General, Não sei bem como colocar a questão. Não será possível o nosso Presidente, junto da PGR, obter, sensibilizar, para que este Inquérito deixe de estar delegado na PJ e sim, como seria correcto desde início, na PJM? Estão presentes três ordens de razão: 1. A Lei (CJM); 2. A segurança de investigadores da PJM; 3. Investigação em toda a extensão dos factos. Um abraço”

O Ministério Público conclui por isso não ser verdade o que sempre disse João Cordeiro: “Ao contrário do afirmado por João Cordeiro que respondeu que não recebeu, a título pessoal ou enquanto Chefe da Casa Militar do Presidente da República, e-mails de Luís Vieira, a verdade é que, pelo menos, recebeu […] três e-mails”.

O MP descobriu ainda várias outras comunicações nos dias após a visita de Marcelo aos paióis, que aconteceu dia 4 de julho de 2017.

Chefe da casa Militar do Presidente soube do achamento antes dos jornais

As comunicações eram tão fluidas que o chefe da casa militar de Marcelo Rebelo de Sousa soube do achamento ainda antes de ser enviado o comunicado para as redações e de o Departamento Central de Investigação e Ação Penal, bem como a Polícia Judiciária, terem assim conhecimento do caso. Isto porque Luis Vieira fez uma chamada para o chefe da Casa Militar do Presidente mais de vinte minutos antes do comunicado: “Às 09h39 [do dia 18/10/2017], a PJM ainda não tinha tornado público o achamento, uma vez que só veio a emitir o comunicado depois das 10h. Não é, pois, credível a afirmação de João Cordeiro de que soube do Achamento através da comunicação social, e não, precisamente, através de Luís Vieira que lhe telefonou logo de manhã”.