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Português que se juntou ao Daesh diz estar arrependido | VÍDEO

Nero Saraiva admite que abandonar o grupo não é uma opção: “Se não fazes parte do Daesh ou se tentares sair vais para a prisão ou acabam por te matar”, diz.

O português que se juntou ao Daesh e foi detido há seis meses, quando o grupo terrorista foi desmantelado, diz estar arrependido da decisão de se ter juntado ao grupo, numa entrevista à agência curda ANF, onde fala do seu percurso como membro do Daesh.

Nero Saraiva, de 33 anos, é considerado um dos jihadistas mais perigosos do mundo e é conhecido como "chefe do ISIS de Londres e comandante dos terroristas estrangeiros". Na entrevista, o português surge com uma cicatriz na testa e sem parte dos dedos das mãos. 

O homem admite ter ficado ferido durante a operação das forças curdas, que ocorreu em março de 2019, em Baghouz, e gerou o desmantelamento do grupo. “Estava na tenda com a minha mulher e com os meus filhos quando uma bomba caiu. Fiquei com os dedos feridos, a cabeça partida e ombro direito deslocado. Perdi a consciência. Quando acordei já estava no hospital”, conta.

Nero Saraiva emigrou para o Reino Unido quando tinha 12 anos e conta que dez anos depois converteu-se ao Islão. Quando começou a ouvir falar do cenário que se passava na Síria, o português decidiu juntar-se ao grupo terrorista. "As pessoas começaram a falar e a dizer que todos os muçulmanos deviam estar juntos", declarou na entrevista de quase 15 minutos. 

Acompanhado por Edgar Rodrigues da Costa, um dos ex-futebolistas que se juntou ao grupo terrorista, Nero Saraiva viajou para a Síria em abril de 2012. 

O português é suspeito de ter estado envolvido no rapto do fotojornalista britânico John Cantlie, que ocorreu em junho de 2012, e de estar ligado ao homicídio de James Foley, um jornalista norte-americano decapitado por Jihadi John. No entanto, nenhuma das acusações a Nero Saraiva é feita durante a entrevista. 

Durante a entrevista, o homem nunca fala de querer voltar a Portugal, mas sublinha estar arrependido de se ter juntado ao grupo terrorista. “Claro que isto não é bom. Se matas inocentes, isso não é bom”, diz, aproveitando para deixar um conselho aos jovens: “Aprendam com a vossa religião e saibam o que estão a fazer. Às vezes podem cair numa coisa que não compreendem e vão colocar-se numa situação da qual é difícil sair”.

Nero admite que abandonar o grupo não é uma opção:“Se não fazes parte do Daesh ou se tentares sair vais para a prisão ou acabam por te matar”, diz. O português pertenceu ao Daesh durante sete anos. Durante esse tempo casou com cinco mulheres e teve dez filhos. Ângela Barreto, a mulher atual de Nero, está no campo de Al Hol.