Economia

Socialista João Lemos é assessor financeiro do negócio

Negócio vai superar os 255 milhões de euros. A ERC e Autoridade da Concorrência garantiram ao SOL que ainda não foram notificadas da operação.  

A compra da Media Capital pela Cofina está a ser assegurada pela Clearwater International, fundada pelo socialista José Lemos. A notícia, avançada pelo Expresso, foi confirmada pelo SOL junto de fonte oficial da empresa liderada por Paulo Fernandes, afastando desta operação os seus ‘parceiros’ tradicionais, como é o caso da Caixa Geral de Depósitos. O SOL sabe que, a operação vai ser financiada por dois bancos: Santander Portugal e Société Générale. 

A compra da TVI poderá passar por um prévio aumento de capital do grupo detentor do Correio da Manhã e da CMTV, que será acompanhado pelos atuais acionistas de referência da Cofina, mas também permitirá a entrada de novos players. Uma das soluções poderá passar pela venda de ações no mercado de capitais. E, nessa altura, poderão entrar outros investidores. É o caso do banco espanhol Abanca e do empresário Mário Ferreira.

O que é certo é que, depois de a Cofina ter anunciado no sábado que tinha chegado a acordo com a Prisa, já começou a contagem decrescente para a dona do Correio da Manhã requerer à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) o registo da Oferta Pública de Aquisição (OPA) sobre a Media Capital. O prazo termina a 11 de outubro.

O lançamento da OPA «ficará dependente, além da instrução documental prevista na lei e apreciação pela CMVM, da verificação das condições a que o oferente sujeitou o lançamento da oferta, constantes do anúncio preliminar», refere o regulador. 

O grupo a que pertence o Correio da Manhã diz que a compra da TVI se enquadra «na visão que a empresa tem para os media e afigura-se como aquela que melhor é capaz de garantir o seu crescimento e a sua sustentabilidade», declararam em comunicado. 

ERC e AdC ainda não foram informadas do negócio

A Cofina já veio esclarecer que existem cinco condições que terão de ser cumpridas para que o negócio avance. Duas delas são a não-oposição da Autoridade da Concorrência (AdC) e a autorização da  Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC). Mas a verdade é que estas duas entidades ainda não foram contactadas pela Cofina. «Até ao momento, a ERC não dispõe de qualquer documento ou informação sobre o processo negocial entre a Cofina e a TVI/Grupo Prisa», revelou a ERC ao SOL. 

Também a Autoridade da Concorrência não foi ainda informada sobre o assunto, apesar de a empresa de Paulo Fernandes ainda estar dentro do prazo para o fazer. Ao SOL, a AdC informa que «a Autoridade da Concorrência ainda não foi notificada dessa operação. No entanto, o adquirente ainda está em prazo para o fazer, uma vez que as notificações à AdC devem ser feitas entre a divulgação do anúncio preliminar da oferta e a concretização da operação».

Neste caso, a Concorrência terá de analisar os riscos da operação para os consumidores e para o mercado da comunicação social mas, como o i já tinha noticiado, o principal entrave será mais ao nível da ERC, por estar em causa a questão do pluralismo na comunicação social.

Preocupado com a junção dos dois órgãos está o Sindicato do Jornalistas, que avança querer reunir-se com as administrações da Cofina e do Grupo Media Capital, até porque «este tipo de fusões tem-se traduzido em cortes de pessoal e emagrecimento das redações».

Preocupações

As preocupações centram-se agora na concertação do mercado após a compra e na forma como os meios de comunicação vão funcionar.

Este mega grupo ficará com dois canais de televisão de cabo (TVI24 e CMTV), dois sites de informação generalistas e duas marcas de desporto (jornal Record e site Mais Futebol). Junta-se ainda  um jornal generalista (CM), várias rádios (nomeadamente Comercial e M80) e ainda um dos três grandes canais de televisão generalista, além dos diversos canais nas plataformas pagas (como o Reality ou o Ficção).

Recorde-se que a Cofina propõe-se a pagar  à espanhola Prisa 170,6 milhões de euros pelos seus 94,69% da Media Capital, e um total de 10,5 milhões aos restantes acionistas da dona da TVI, que controlam outros 5,31%. Assim, o preço ascenderá a 181 milhões de euros. Além disso, o grupo liderado por Paulo Fernandes irá assumir a dívida da Media Capital, o que faz com que o valor total do negócio suba para os 255 milhões de euros.