Opiniao

Metro de Lisboa e falta de respeito

Os atrasos nas obras do Metro correspondem a um padrão que causa transtorno aos utentes, ocupando e condicionando o espaço público.

A história do metropolitano de Lisboa é feita de transporte de passageiros, mas também é feita de atrasos crónicos nas obras, com derrapagens financeiras sucessivas, avarias sistemáticas e muita falta de respeito pelos cidadãos e pela cidade.

Recentemente tem sido alvo de atenção o atraso nas obras na estação de Arroios. Esta estação foi encerrada em julho de 2017 com a previsão de reabertura, com as obras de alargamento do cais concluídas, em janeiro de 2019. No entanto, as obras foram interrompidas devido ao incumprimento do empreiteiro e agora prometem que reabrirá em meados de 2021. Entretanto, mantém-se o estaleiro, a ocupação da superfície com o condicionamento da Praça do Chile, agrava-se a degradação do espaço público, a segurança dos peões está comprometida e os comerciantes desesperam com avultados prejuízos na sua atividade.

O exemplo das obras do Metro em Arroios é ilustrativo de uma prática frequente na atividade do Metropolitano de Lisboa.
No Areeiro verifica-se uma situação idêntica à de Arroios. Neste caso, as obras na estação tiveram início em 2008, estava previsto serem concluídas em 2011 e, passados 8 anos, ainda estão por finalizar. Neste caso, parte dos acessos à estação continuam encerrados e o espaço público na superfície continua por renovar.

Obra após obra, sempre que há intervenções do Metro, os prazos não são cumpridos e o valor previsto acaba por derrapar.

Assim aconteceu com o prolongamento da linha vermelha entre a Alameda e São Sebastião cujas obras se atrasaram 2 anos e com as obras do túnel no Terreiro do Paço – o caso mais emblemático dos problemas de expansão do Metro –, que tiveram início em 1995 e estava previsto serem concluídas em 1997. Já com atraso, ocorreu um acidente em 2000, o recomeço teve lugar em 2002 e, após mais atrasos, acabaram por ser concluídas em 2007 com uma derrapagem nos custos que significou o dobro do valor inicialmente previsto.

Os atrasos nas obras do Metro correspondem a um padrão que causa transtorno aos utentes, ocupando e condicionando o espaço público e o seu usufruto mais do que o tempo necessário e, em muitos casos, prejudicando o comércio local.
No momento em que se aproxima mais uma fase de expansão do Metro em Lisboa, independentemente da bondade da opção em causa, há razões para temer que os atrasos, as derrapagens, o condicionamento do espaço público, o prejuízo para a economia local e o transtorno para os cidadãos se prolongue para além do previsto.

Também as avarias frequentes no funcionamento das composições e nos meios mecânicos de acesso provocam uma incerteza insuportável nas condições de utilização do Metro.

As acessibilidades às estações do Metro continuam por assegurar num número muito significativo de casos, com atrasos na sua instalação, verificando-se o incumprimento do prazo previsto por lei para a respetiva concretização. 

Não é sustentável para Lisboa que esta conduta se mantenha. O Metro cumpre um papel vital na mobilidade e no desenvolvimento da cidade e por isso tem de garantir um adequado serviço, ao invés de ser fonte permanente de problemas e preocupações. O Metropolitano de Lisboa é uma empresa pública e deve assegurar um serviço público que torna imperioso um melhor desempenho e o respeito pelos cidadãos.