Em nome da verdade

Programa Eleitoral do ‘Principal Opositor’ - Parte 2

Apesar de toda a nossa boa vontade, não podemos deixar de afirmar - perante tanta ignorância, asneira e desleixo - que lamentamos profundamente que tão nefasto ‘escrito’ possa pôr em causa todo o património histórico que o PSD desde 1982 tem registado na área que agora analisamos.

No artigo anterior fizemos a análise global do Programa do PSD no respeitante à Defesa Nacional, um texto escrito num português pouco escorreito, mas sobretudo com grandes deficiências doutrinárias, organizativas, legais e conceptuais. 

Apesar de toda a nossa boa vontade, não podemos deixar de afirmar - perante tanta ignorância, asneira e desleixo - que lamentamos profundamente que tão nefasto ‘escrito’ possa pôr em causa todo o património histórico que o PSD desde 1982 tem registado na área que agora analisamos.

Um ‘escrito’ destes só nos pode deixar desgostosos e tristes. 

No que respeita à Segurança Interna, o Programa Eleitoral do PSD congratula-se por ser «compensador ver Portugal entre os países mais seguros do mundo», considerando ainda que ser «um País seguro constitui uma vantagem competitiva» para a atração de investimento estrangeiro, mas também de imigrantes permanentes ou temporários. Logo de seguida incorre numa ‘demagogia barata’ quando enuncia a ambição de tornar Portugal «o País mais seguro do mundo».

O que se propõe fazer o PSD para atingir este desiderato? Vejamos:

- ‘Melhorar a ação integradora’ das Forças de Segurança pública com a Justiça e a Defesa. No entanto, nunca menciona como pretende fazê-lo, nem sequer esclarece a razão por que exclui os Serviços de Segurança.

- Promover uma ‘maior cooperação’ entre as Forças e Serviços de Segurança. Como o fará? Por que motivo o pretende fazer? Nada… 

- Libertar os ‘agentes’ mais novos das tarefas administrativas e burocráticas vocacionando-os ao policiamento de proximidade. Sabendo o cidadão comum que ‘agentes’ são da Polícia de Segurança Pública (PSP) e ‘guardas’ são da Guarda Nacional Republicana (GNR), pergunta-se: esqueceram-se da GNR ou esta medida é para aplicação exclusiva na PSP?

- ‘Estabilizar’ os quadros orgânicos da GNR e da PSP, bem como os respetivos estatutos e regulamentos. Essa é a tarefa mais fácil, pois basta manter tudo igual para ‘estabilizar’. A parte difícil e premente tem a ver com os serviços que estas instituições têm de prestar. Mas, uma vez mais, sobre o assunto… nada.

- ‘Valorizar’ os Serviços de Informações! Esta tarefa é incumbência do primeiro-ministro e não do responsável pela área da Segurança Interna, mas seria adequado que explicitassem como pretendem efetuar essa valorização.

- Assegurar uma participação nacional ‘efetiva’ nos organismos de gestão de fluxos fronteiriços. Porquê? Para quê? Como? Pois é… nada.

No respeitante à Segurança Nacional esgotam-se, assim, as pouquíssimas e pobres intenções (que não propostas) do Programa do PSD relativas a esta importante área de atividade do Estado.

Não nos pronunciamos sobre a área da Proteção Civil, de que gostamos, pois escreveremos sobre o tema em breve, quando fizermos um balanço do setor a nível nacional.

Como análise global do que lemos, temos de concluir o seguinte:

- Pobre PSD… o que te fizeram!

- Deixaram-te tão ‘coxo’, que estás sujeito ao caráter, personalidade, arrogância, autoritarismo e autossuficiência de um presidente (que não líder) que nem sequer é capaz de ‘acertar na segunda-feira no resultado do que aconteceu no domingo anterior’.

- Bom, é com isto que temos de contar, pois o que escrevemos, lamentavelmente, já é público e notório.

Em Nome da Verdade, teremos assim de aguardar para aferirmos da dimensão do ‘desastre’ que se adivinha.

 

*Major-General Reformado