Falar baixinho

Amamentar ou não amamentar, eis a questão

Cada mãe deve perceber e sentir o que é melhor para si e para o seu bebé. Se não se sente à vontade para amamentar, não faz sentido que seja pressionada a fazê-lo.

São inquestionáveis as vantagens e benefícios da amamentação tanto para o bebé como para a mãe. O leite materno é o mais adaptado em termos nutricionais e acompanha as necessidades do bebé e o seu crescimento, além de que reforça o sistema imunitário, previne a obesidade e facilita o trânsito intestinal, entre outra coisas. Ou seja, é perfeito. Do outro lado, a mãe retoma a forma mais facilmente, não tem de se preocupar em comprar, fazer ou aquecer leite.

Tem havido, e bem, por todas estas razões, uma enorme promoção do leite materno. Por outro lado há uma crítica severa, com que já não posso concordar, a quem não o oferece. Ao contrário do que é muitas vezes referido, não é líquido que o vínculo afetivo seja mais forte quando os bebés são alimentados desta forma. Cada mãe deve perceber e sentir o que é melhor para si e para o seu bebé. Se não se sente à vontade para amamentar, se se sente insegura e considera que isso lhe traz muita ansiedade, se não tem essa disponibilidade ou qualquer outra razão, não faz sentido que seja pressionada a fazê-lo.

O vínculo e relação mãe-bebé é mais forte quando a mãe alimenta o seu filho amorosamente com biberão, do que se o amamentar contrariada e sem convicção. Certa vez um casal amigo criticava ferozmente uma amiga que escolheu não oferecer o seu leite ao bebé. Não sei que razões tinha para o fazer, nem eles, mas muito possivelmente as suficientes para saber o que era melhor para os dois. Esta tem de ser uma decisão de cada mãe e de mais ninguém.

Até ter o meu primeiro filho nunca soube se seria capaz de amamentar, tinha até algumas dúvidas, mas nunca me senti pressionada a fazê-lo se não fosse a minha vontade. Quando aquele bebé pequenino nasceu o processo foi natural e senti que afinal não poderia ter sido de outra forma. Cada mãe, na altura certa, sentirá também qual o caminho que deve tomar.

Do mesmo modo deve ser natural o tempo que o bebé é amamentado e mais uma vez não é certo que sejam os outros a decidir qual é a altura certa para deixar de o fazer. Embora as recomendações da Organização Mundial da Saúde sejam de que o aleitamento materno deve ser feito em exclusividade até aos seis meses e continuar pelo menos até aos dois anos como complemento, cada mãe deverá avaliar o que é melhor para o seu bebé e para si. Mães que trabalham muito e se veem gregas para continuar a amamentar, ou que, apesar de não lhes fazer sentido acham que prejudicam o filho se lhe oferecerem outros leites antes dos dois anos de idade, ou ainda que acham que faz todo o sentido manter o aleitamento materno até depois dos dois anos, devem avaliar o que é melhor para o bem estar dos dois, longe de culpabilidades e das certezas dos outros. Até porque no desenvolvimento de um bebé não são só importantes as suas necessidades nutricionais e físicas, mas também o seu crescimento, o seu temperamento, a relação, a sua vontade, bem como a disponibilidade e vontade da mãe, e só tendo em conta todos esses fatores se pode tomar uma decisão sensata e acertada.