Internacional

Mãe fingia que filha sofria de doenças terminais e deixou-a morrer

No mês em que a menina morreu, Kelly Renee Turner decidiu que esta deveria deixar de ser alimentada por uma sonda com o intuito de ver a filha morrer em paz, já que, na sua opinião, esta tinha uma má qualidade vida.

Kelly Renee Turner foi detida na passada sexta-feira, em Denver, no estado norte-americano do Colorado. A mulher de 41 anos é acusada de 13 crimes, incluindo homicídio, abuso infantil, roubo, fraude de caridade e falsificação.

De acordo com as autoridades, a mulher fingiu, durante anos, que a sua filha, Olivia Gant, sofria de várias doenças terminais para conseguir obter ajudas monetárias. Desde os 13 meses da criança que a mãe anunciava que a menina sofria de doenças terminais, de acordo com a investigação das autoridades. Uma das doenças alegadas - a mais conhecida entre a população local e os órgãos de comunicação social - era a encefalopatia neurogastrointestinal. 

Kelly Renee Turner criou uma página na plataforma “GoFundMe”, onde afirmava que o destino do dinheiro era para ajudar nos tratamentos médicos de que a menina necessitava. A mãe de Olivia juntou mais de 20 mil dólares – cerca de 18 mil euros – para, alegadamente, ajudar a filha. Em 2015, criou uma página de Facebook, “Peace4Olivia”, para também conseguir ajudas monetárias.

Em abril de 2017, Olivia escreveu uma lista de aventuras de coisas que pretendia fazer antes de morrer. Uma delas era “apanhar os maus” com a polícia. Ao saber da situação, o Departamento da Polícia de Denver decidiu realizar o desejo da menina. Vestiram-lhe o uniforme policial, levaram-na em serviço e nomearam-na chefe da patrulha por um dia. A história foi partilhada em vários órgãos de comunicação social locais. Ao Denver Post, Kelly Turner voltou a sublinhar que a menina sofria de uma doença terminal e disse não saber quanto tempo lhe restava.

Também uma organização de caridade riscou um dos desejos “finais” da menina: juntou dinheiro para realizar uma festa na qual a criança se mascarou de princesa morcego e lutou contra os vilões. O evento custou mais de 11 mil dólares – quase 9990 euros.

Olivia acabou por morrer em agosto de 2017, por uma suposta falha intestinal. Apesar de a acusação não apresentar as circunstâncias específicas da morte da menina, vários médicos que acompanharam Olivia afirmam que, apesar de esta não sofrer de nenhuma doença terminal, necessitava de vários cuidados médicos. No mês em que a menina morreu, Kelly Renee Turner decidiu que esta deveria deixar de ser alimentada por uma sonda com o intuito de ver a filha morrer em paz, visto esta ter uma má qualidade de vida.

Um dos médicos questionados na investigação recordou que Kelly afirmava que a filha estava a rejeitar a alimentação pela sonda, algo que na verdade não acontecia. Apesar das recomendações dos especialistas irem contra a vontade da progenitora, esta decidiu que a menina deixasse de ser alimentada e que nada fosse feito para a reanimar. 

Um dos médicos disse ter ficado "em choque" quando soube que a mãe tinha retirado o tratamento e que Olivia tinha morrido. As doenças de Olivia eram tratáveis, de acordo com os médicos, mas a mãe sempre se mostrou contra qualquer tipo de tratamento proposto pelos mesmos. 

Depois da morte da filha mais nova, Kelly Renee Turner começou a tentar repetir a história com a filha mais velha. A mulher levou a filha ao hospital, afirmando que a rapariga sofria de dores nos ossos por ter cancro.  A mãe disse ainda que a filha tinha sido tratada no Texas, mas mudaram-se para o Colorado à procura de melhores tratamentos para ela e para Olivia. Por desconfiarem da situação, os médicos entraram em contacto com colegas do Texas que desmentiram a história de Kelly. 

Ao informar o Departamento de Serviços Sociais sobre a situação, toda a história começou a vir ao de cima. Os médicos disseram aos investigadores que temiam que Kelly Turner tivesse falsificado as doenças e submetido a filha Olivia, que tinha morrido no ano anterior, a tratamentos desnecessários.

Ao ser interrogada, a mulher admitiu ter inventado as doenças da filha mais velha. No entanto, nunca confessou nada sobre as doenças de Olivia.