Desporto

Libertadores. Jesus leva Flamengo à final 38 anos depois

O Mengão deu um enxovalho ao Grémio (5-0), carimbando a primeira presença no jogo decisivo desde 1981

E Jesus fez mais um milagre: depois de 38 anos de espera, o Flamengo está na final da Taça dos Libertadores da América. E chegou lá em grande estilo: após o 1-1 na primeira mão das meias-finais, em Porto Alegre, o Mengão arrasou por completo o Grémio no Maracanã, vencendo por concludentes 5-0!

A primeira parte até foi relativamente equilibrada, com o Grémio a dispor inclusive da primeira oportunidade, proporcionada por um erro de Diego Alves - Maicon acabou por acertar no guardião brasileiro na recarga. E seria uma perda de bola do mesmo Maicon a originar o golo inaugural do Flamengo, a três minutos do descanso: Bruno Henrique recuperou e desmarcou Gabriel Barbosa, que atirou à figura do guardião contrário; na recarga, porém, o mesmo Bruno Henrique viria a fazer o 1-0.

O verdadeiro festival rubronegro chegaria na segunda metade. Logo no primeiro minuto, na sequência de um canto, Gabriel voltou a ser Gabigol e enviou um míssil indefensável para Paulo Vítor. Aos 56', o bis para o antigo avançado do Benfica, agora de penálti, depois de Geromel (ex-Chaves e Vitória de Guimarães) derrubar Bruno Henrique na área do tricolor gaúcho. Mais duas bolas paradas... e mais dois golos do Flamengo, curiosamente cada um apontado por um central: Pablo Marí aos 67' e Rodrigo Caio aos 71'.

O Maracanã delirava, com o encontro a terminar ao som de "olés" dirigidos ao vencedor da competição em 2017. O Flamengo está assim na primeira final da Libertadores desde 1981 (venceu-a nesse ano, na única vez que tinha conseguido atingir esse patamar), com Jorge Jesus a ser o primeiro treinador português a chegar ao jogo decisivo da prova. Agora, no próximo dia 23 de novembro, e tendo pela frente o atual detentor do troféu (River Plate), segue-se novo objetivo: vencê-la, tornando-se o segundo técnico europeu a consegui-lo (o primeiro foi Mirko Jozic, curiosamente outro ex-Sporting, em 1991, ao comando dos chilenos do Colo-Colo.

Para já, o treinador luso não faz por menos: Jesus ainda recorda as duas finais perdidas da Liga Europa, ao comando do Benfica (2012/13 com o Chelsea e 2013/14 frente ao Sevilha), mas garante que à terceira será mesmo de vez. "É verdade que esta é a minha terceira final, é muito importante. Já tive duas, as quais perdi: uma por grandes penalidades e outra aos 92 minutos. Vamos ter a terceira, mas só ganha quem lá chega. Quem não chega às finais nunca vai perder, porque nem sequer lá chega. Entre a tristeza e a satisfação, estas duas situações estão próximas. Mas em Portugal também costumamos dizer que quando se vai a uma final é para ganhar. Com todo o respeito pelo nosso adversário, queremos ir à final para ganhar: chegar lá é importante, mas o mais importante é ganhar", disparou.

Jesus, de resto, não se coibiu de comparar o cenário que está a atravessar no Flamengo com aquele que encontrou quando chegou ao Benfica, no verão de 2009: "Estudámos ao pormenor esta equipa, no posicionamento, nos cantos, como é que ela se posicionava. Eu disse aos jogadores, antes de acontecer, que íamos fazer golos de canto, fácil, e fizemos. Para nós não é novidade nenhuma, e não é para me valorizar, mas onde chegamos, fazemos isto em todas as equipas por onde passamos. Cheguei a uma grande equipa em Portugal, tipo Flamengo, que não ganhava títulos, e com a nossa chegada começou a ganhar. Hoje é o número um do futebol português".

Vencido (e goleado), mas ainda assim pouco convencido ficou Renato Gaúcho: mais do que reconhecer o valor do adversário, o treinador do Grémio considerou que o resultado se deveu a erros da sua equipa. E bem ao seu estilo. "Foi um resultado surpreendente, mas aconteceu. Sofremos cinco golos na sequência de cinco erros nossos. Hoje jogámos muito abaixo do que sabemos e podemos, hoje até uma mulher grávida marcava ao Grémio. Hoje o Flamengo foi superior? Sim. Mereceu ganhar por 5-0? Se formos a analisar as oportunidades que teve, sim, mas nós é que lhes demos essas oportunidades, e o Flamengo soube aproveitar", realçou, completando a ideia: "Quando se enfrenta uma equipa como o Flamengo, com jogadores de nível de seleção brasileira, que já jogaram na Europa, experientes… não perdoam, quando tiverem oportunidade vão matar. Foi o que fizeram hoje. Jogar diferente contra o Flamengo é jogar com medo. Toda a equipa que joga fechada contra o Flamengo vai acabar a apanhar, a ceder. Quem jogar apenas a defender contra o Flamengo, eles vão massacrar-te no teu meio-campo. É preciso incomodar o Flamengo".