Politica

Antigos dirigentes pedem união no PSD

Ex-dirigente do PSD, Marco António diz que é preciso unir o partido, mas critica quem parece ter vergonha do passado ou acha que não se fez nada entre 2011 e 2015.

O PSD entrou em contagem decrescente para as eleições diretas em 2020. Contam-se  espingardas  e diagnósticos sobre o que é necessário no partido após a contenda entre três adversários: Rui Rio, presidente do PSD, Luís Montenegro, antigo líder parlamentar, e Miguel Pinto Luz, autarca em Cascais. 

Marco António Costa, antigo vice-presidente do partido e ex-deputado, quebrou o silêncio para deixar alguns avisos. Em declarações ao SOL, o ex-dirigente recusa que o PSD tenha de fazer um debate ideológico, após a derrota eleitoral. «Isso é inventona», começa por dizer o dirigente. 

De assinalar que o atual presidente e recandidato a líder, Rui Rio, preconiza, por exemplo,  um PSD ao centro. Para Marco António Costa «as bases do programa do partido estão lá, não suscitam dúvidas algumas. Não é preciso refundar nada.  É preciso é apresentar resultados».

A prioridade «depois das eleições, é unir», defendeu o ex-dirigente , lembrando que «as coisas poderiam ter corrido melhor» ao PSD nas eleições. Mais, o também antigo governante acredita que o problema do PSD não é de discurso, mas de «realidade» e de resultados, e que há militantes que parecem ter «vergonha da história  do PSD».  Questionado se estava a falar de Rio, Marco António teve resposta pronta. «Estou a falar para quem couber a carapuça». 

Sem personalizar ou dizer quem vai apoiar, o ex-dirigente acrescenta que «há dirigentes que acham, em alguns momentos, que o PSD não fez nada entre 2011 e 2015», ou seja, na era de Passos Coelho e no período da troika. Por isso, o tempo não é de «debates completamente estéreis», porque o PSD sempre foi «um partido irrequieto, com sentido crítico, com respeito pela diversidade de opiniões». 

Para Fernando Ruas, antigo autarca, ex-eurodeputado e agora, deputado, «o principal desafio é a coesão interna. O PSD não pode andar  em constante  perturbação interna porque já se viu que não dá bom resultado».  Isto sem revelar quem vai apoiar.

Rui Machete, antigo líder do PSD, também alinha na ideia de que o partido não pode viver em turbulência: «O partido tem sempre que funcionar de uma maneira unida, ganhe quem ganhar».

Por sua vez, o antigo eurodeputado João de Deus Pinheiro, afastado há muito da política, acrescenta que «é  bom que assente o pó, que cada um dos candidatos venha dizer ao que vem e o que traz e propõe». Sem adiantar se vai apoiar algum candidato, Deus Pinheiro argumenta: «Um dos erros de Rui Rio (quando chegou à liderança do PSD) foi que não trouxe um conjunto de bandeiras que toda a gente esperava. Agora espero que com esta recandidatura o possa fazer».

Os avisos e apelos à unidade e a resultados estão feitos, mas há uma guerra que se antecipa a curto prazo: o sistema de pagamento de quotas. As regras agora são bastante apertadas e há quem admita ao SOL que se possa pedir uma amnistia para quem tem quatro ou dois anos de militância  suspensa e não tem quotas pagas. O debate segue no Conselho Nacional de dia 8 de novembro, em Bragança.