Economia

Compra TVI. CMVM pede auditor independente

Processo de fusão está suspenso na Concorrência à espera do parecer da ERC. Há quatro contra-interessados neste negócio.

A Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) pediu a nomeação de auditor independente para fixar a contrapartida mínima na Oferta Pública de Aquisição (OPA) da Cofina sobre a Media Capital. Esta decisão surge depois de a Cofina ter apresentado ao regulador um requerimento visando a declaração de derrogação do dever de lançamento de uma OPA subsequente, bem como “na antecipada convolação daquela oferta em obrigatória” assim que se verifiquem as condições suspensivas de que depende a produção de efeitos do contrato celebrado entre a Cofina e a Promotora de Informaciones “para a aquisição de ações representativas de 100% do capital social da Vertix, SGPS, S.A., as quais são semelhantes às condições de que depende o lançamento da própria oferta”, disse em comunicado.

Neste contexto, e “na impossibilidade de determinação da contrapartida”, a CMVM considera que se revela “necessário fazer intervir auditor independente”.

O regulador diz também que a impossibilidade de determinação da contrapartida resulta do facto de o maior preço acordado a pagar pelo oferente resultar das negociações particulares entre o comprador e o vendedor e da “liquidez reduzida das ações do Grupo Media Capital”.

O anúncio do acordo para a compra da dona da TVI foi feito a 21 de setembro e já exigiu um aumento de capital por parte da empresa de Paulo Fernandes em 85 milhões de euros. O negócio deverá estar concluído no primeiro semestre de 2020, no entanto, estará sujeita a certas condições, em particular à aprovação dos reguladores. 

Para já, o processo de fusão está a aguardar um parecer da Entidade Reguladora da Comunicação Social (ERC) que, enquanto não for entregue, suspende a contagem dos 30 dias úteis que a Autoridade da Concorrência (AdC) tem para deliberar sobre a operação, revelou o ECO. O parecer é vinculativo.

A Concorrência já veio confirmar que recebeu quatro comentários de contra-interessados, que estão atualmente sob avaliação. Um deles terá sido a Impresa.

Tal como o SOL avançou, a empresa liderada por Francisco Pedro Balsemão esteve reunido com as operadoras de telecomunicações para falar sobre este negócio. O  objetivo destes encontros seria arrastar o processo de compra, nomeadamente junto da Autoridade da Concorrência. A ideia seria  desvalorizar o ativo TVI - que está neste momento avaliado em 255 milhões de euros, mas cujas sinergias no futuro grupo estão fixadas em 46 milhões de euros - e seguir o exemplo do que se passou com a tentativa de compra por parte da Altice.