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Dois eurodeputados portugueses votaram contra reforço de salvamento de migrantes. Moção foi chumbada por dois votos

 Depois de uma onda de polémica se ter instalado nas redes sociais, os eurodeputados vieram esclarecer o seu voto e explicaram que não são contra o salvamento de migrantes, mas sim contra a proposta apresentada.

O Parlamento Europeu chumbou na terça-feira, por apenas dois votos, uma resolução que obrigava os Estados-membros da União Europeia a reforçar as suas operações de busca e salvamento no Mediterrâneo, com o intuito de salvar mais vidas humanas e chegar a um consenso sobre a distribuição dos migrantes socorridos no mar.

A proposta foi chumbada com 290 votos contra, 288 a favor e 36 abstenções. Álvaro Amaro e Nuno Melo, do PSD e CDS respetivamente, votaram contra a proposta de reforço de salvamento de migrantes no Mediterrâneo. José Manuel Fernandes absteve-se e Graça Carvalho votou inicialmente contra a resolução, mas acabou por pedir para o seu voto ser corrigido ainda no decurso da votação, algo que, segundo declarações de uma fonte parlamentar à agência Lusa, não nutriu efeito para a contagem final.

Depois de uma onda de polémica se ter instalado nas redes sociais, os eurodeputados vieram esclarecer o seu voto e explicaram que não são contra o salvamento de migrantes, mas sim contra a proposta apresentada. "Uma proposta com o mesmíssimo fim", apresentada pelo PPE, foi chumbada, o que levou os eurodeputados a decidir chumbar também a proposta do partido socialista, de acordo com Nuno Melo. 

Antes de a resolução apresentada ser votada, com várias alterações propostas pelos diferentes grupos políticos, já tinham sido recusadas três resoluções, sobre o mesmo tema, propostas individualmente pelo Partido Popular Europeu (PPE), pelo Identidade e Democracia (ID) e pelos Conservadores e Reformistas Europeus (ECR).

Acusado de não se preocupar com as mortes no Mediterrâneo, Nuno Melo nega tal afirmação. “A afirmação é absolutamente falsa, insidiosa e revela o caráter de quem a profere”, declara o eurodeputado, na sua página oficial de Twitter, onde desmente “a mentira de alguma esquerda”, como o próprio apelida. “Só por absurdo se poderia imaginar que uma maioria dos deputados no Parlamento Europeu desejasse a morte de quem seja”, acrescenta.

Segundo Nuno Melo, a proposta não incluía “a distinção entre refugiados e migrantes, sabendo-se que a uns e outros se aplicam leis diferentes, e recursos sempre escassos” e a tentativa socialista de “instrumentalização política do fenómeno, atribuindo-se a algumas ONGs o tratamento quase equivalente a Estado, coisa que obviamente não são”.

O eurodeputado sublinha ainda que a proposta recusava a “cooperação com países terceiros, por forma a combater as causas que levam tantos a deixar os seus países de origem” e “a ausência de resposta para pôr fim ao modelo de negócios perpetuados pelos traficantes e grupos criminosos que têm em mão a vida de pessoas vulneráveis”.

Álvaro Amaro também explicou o porquê do seu voto: “a presente resolução não teve em conta a posição do meu grupo político”, disse o eurodeputado na sua declaração de voto, citada pela agência Lusa, mencionando o Partido Popular Europeu (PPE).

“Entendi, assim, seguir a linha de voto indicada pelo PPE e votar contra. Aguardo agora que os diversos grupos políticos voltem à negociação, para redigir uma nova resolução que possa expressar a pluralidade de opiniões existente neste Parlamento”, pode ler-se na nota apresentada por Álvaro Amaral. 

Na visão do eurodeputado social-democrata, a União Europeia deve “reforçar urgentemente as missões de busca e salvamento, nomeadamente através do Frontex, que deve aplicar as suas novas competências, com o apoio dos Estados-Membros, ou seja, através duma resposta pública e de toda a União”.

José Manuel Fernandes que optou pela abstenção, justifica-se, afirmando que a proposta em si falha “na promoção do equilíbrio necessário para tornar as fronteiras da União num lugar mais seguro e humano” e “favorece a criação de negócios privados, à conta de um drama que nos toca a todos”. 

O eurodeputado do PSD diz ter-se abstido na votação do texto “por entender que a resolução não expressa a melhor forma de atingir” o objetivo de impedir “de forma célere, que o Mediterrâneo se transforme num cemitério”, ao recusar “algumas das opções apresentadas pelo PPE”.