Politica

Teresa Leal Coelho desvaloriza decisão do PSD e atribui-a a nervosismo interno

PSD recusa passar a ser “o sustentáculo da ação” do arquiteto e fica só com um vereador na câmara.

O PSD/Lisboa retirou a confiança política à vereadora Teresa Leal Coelho e esclarece, em comunicado, que a partir de agora não reconhece “o exercício do seu mandato como sendo exercido em representação do PSD”. Na prática, o PSD passa a ter apenas um vereador na câmara de Lisboa.

A polémica entre Leal Coelho e a concelhia não é nova, mas agravou-se depois de a vereadora ter viabilizado a nomeação de Manuel Salgado para a administração da empresa municipal SRU – Sociedade de Reabilitação Urbana. “O PSD não pode passar a ser agora o sustentáculo da ação do arquiteto Manuel Salgado”, afirma, em comunicado, a concelhia.

O PSD/Lisboa argumenta ainda que deu orientações aos vereadores para votarem contra esta nomeação, porque “o PSD não poderá ser entendido como um partido útil para as prejudiciais políticas do PS para a cidade quando o BE lhe falha”.

O voto de Leal Coelho acabou por ser decisivo. João Pedro Costa, que passa a ser o único representante do partido na autarquia, votou contra juntamente com os vereadores do CDS, PCP e Bloco de Esquerda. O vereador social-democrata não escondeu as divergências e lamentou que Leal Coelho “se exclua assim de uma alternativa para o futuro”. Na sua página do Facebook, João Pedro Costa defendeu, há uns dias, que “se alguém hoje prefere a política de urbanismo do PS à do PSD está no seu direito, mas que seja consequente e não se sente na bancada do PSD”.

Carlos Barbosa, que integrou as listas do PSD nas últimas autárquicas, comentou a publicação para criticar a postura de Leal Coelho.

O presidente do ACP e deputado municipal defende que “é altura de [Teresa Leal Coelho] voltar a fazer aquilo que sabe fazer bem, lecionar, porque na política foi sempre um desastre total, sempre em bicos de pés atrás do poder seja ele qual for”.

O ex-presidente da concelhia de Lisboa, Mauro Xavier, também apoiou a decisão de retirar a confiança política à ex-deputada. “Há ano e meio escrevi uma carta aberta a pedir-lhe para sair pelo próprio pé. Fui ao plenário avisar que era uma questão de tempo até não haver outra alternativa a ser retirada a confiança política. Hoje foi o dia. Começa um novo ciclo”, escreveu, na sua página do Facebook, o ex-líder do PSD/Lisboa.

 

Nervosismo

Teresa Leal Coelho desvalorizou a decisão do PSD/Lisboa e garante que vai continuar a exercer o mandato na câmara de Lisboa. A social-democrata defendeu, em declarações à rádio Observador, que a decisão da concelhia “não produz nenhum efeito jurídico” e relacionou esta polémica com o “grande nervosismo” por causa das eleições internas.

A distrital de Lisboa do PSD vai a votos no sábado e o próximo líder do partido deverá ser escolhido em eleições diretas no dia 11 de janeiro.