Internacional

Impasse continua em Espanha. PSOE sem maioria absoluta, Ciudadanos mirra e Vox cresce

Prevê-se a continuação de um impasse na formação do executivo.

O PSOE de Sánchez venceu, este domingo, as eleições legislativas em Espanha. Os socialistas elegeram 120 deputados, menos três comparativamente às eleições anteriores. Por outro lado, o segundo partido mais votado foi o PP e reafirmou-se como uma grande força à direita ao eleger 88 deputados, mais 21 deputados do que anteriormente tinha. O Vox foi a terceira força política mais votada e vê os seus deputados passarem de 24 para 52.

No entanto, quem ficou para trás foi o Ciudadanos, que passou de 57 lugares para apenas 10. O ERC passou de 15 deputados para 13 e o CUP conseguiu eleger dois deputados. Já o Unidas Podemos, de Pablo Iglesias viu o número de deputados eleitos baixar de 42 para 35. (Gráfico: El País)

“O impasse é a principal preocupação, o principal problema político que Espanha enfrenta”, alertou o primeiro-ministro em funções, Pedro Sánchez, durante a campanha. Agora, depois das eleições, o impasse parece continuar. Um Governo à esquerda é muito improvável, à direita impossível. Sobra um acordo ao centro entre o PSOE e o PP.

Apesar de tanto o líder do PSOE como o do PP, Pablo Casado, terem afastado repetidamente esse cenário, muitos não deixaram de ver uma aproximação entre os dois, como o líder do Unidas Podemos, Pablo Iglesias: “Aproxima-se aquilo a que alguns chamam de ‘grande coligação branda’, ou seja, [Sánchez] procurará um acordo económico com o Partido Popular, com a desculpa da Catalunha”, previu, em entrevista ao La Voz de Galicia.

Depois dos resultados, Pablo Casado disse que os interesses do PP são “incompatíveis” com a abordagem de Sanchéz, mas garantiu que o partido irá exercer “a sua responsabilidade e a sua alternativa”.

Quem parece ter apostado nessa possibilidade é o grande derrotado destas eleições, o líder do Ciudadanos, Albert Rivera. Um Governo do PSOE com apoio apenas dos centristas teria sido certamente a preferência de Sánchez à direita. Contudo, se isso era uma possibilidade real após as eleições de abril - tinham juntos 180 deputados - hoje requeria o apoio de outra força, como o Partido Popular.

O grande beneficiário da quebra do Ciudadanos terá sido, sem dúvida, o Vox, de Santiago Abascal - cuja subida nas intenções de voto coincidiu com a quebra dos centristas.

Recorde-se que estas eleições foram convocadas, em setembro, pelo Rei de Espanha, depois de constatar que o primeiro-ministro socialista em funções, Pedro Sánchez, não conseguiu reunir os apoios suficientes para voltar a ser investido no lugar.