Sociedade

Alcochete. Sistema de videovigilância falhou minutos antes do ataque

Militar da GNR conta ainda que duas das câmaras de vigilância do espaço não estavam a funcionar na altura do ataque

Decorreu hoje a quarta sessão do julgamento no processo da invasão à academia do Sporting, em Alcochete, tendo sido  ouvidos os dois primeiros militares a chegar à ala profissional de futebol do clube de Alvalade no dia dos desacatos. O cabo Santos explicou que houve uma falha do sistema de videovigilância às 17h18, apenas alguns minutos antes do ataque. Esta é, de resto, a justificação para só existirem imagens dos adeptos invasores a entrar na academia. 

O militar relatou ter sido recebido por Ricardo Gonçalves, responsável pela segurança e que levou os militares a todos os locais - para irem buscar as imagens do sistema de videovigilância -,  e que este último ficou surpreendido quando percebeu que o sistema tinha falhado apenas alguns minutos antes do ataque. No entanto, o militar acabou por manifestar a convicção de que a academia não queria mostrar as imagens, que seriam entregues às 5h do dia seguinte à GNR. “Fiquei com a suspeita de que não queriam mostrar as imagens”, disse o militar, citado pelo Observador, revelando também ter sido informado de que duas das câmaras da academia não estariam a funcionar naquele dia.

“Os jogadores estavam em pânico, revoltados e a falar todos ao mesmo tempo. Depois, acalmaram-se e explicaram o que se passou. Explicámos-lhes os direitos que tinham e se queriam formalizar queixa”, relatou por sua vez o militar João de Matos, do Núcleo de Investigação Criminal (NIC) da GNR do Montijo.

O mesmo explicou que, no caminho, até ao balneário viu gotas de sangue no chão, tochas, um garrafão de 25 litros de água tombado e ainda múltiplas garrafas de água. Para além disso, descreveu um “cheiro intenso a fumo” e “uma camisa do Sporting queimada na zona da barriga”.  

Fernando Mendes presente mas em silêncio

Para além das declarações dos militares da GNR, esta sessão correspondeu à primeira de Fernando Mendes, antigo líder da claque do Sporting Juventude Leonina - mais conhecida como Juve Leo - que até agora tinha faltado às sessões por motivos de saúde.

Apesar de ter comparecido no Tribunal de Monsanto, em Lisboa, Fernando Mendes decidiu não prestar declarações ao coletivo de juízes presidido por Sílvia Pires. Já à saída do tribunal o antigo líder da Juve Leo explicou que o identificaram, que havia trazido as justificações médicas para as suas ausências nas sessões da semana passada e que deixava as declarações para outra altura: “Para já não vou dizer nada. Vou falar certamente, mas para já não. Quero ver o que vai acontecer entretanto. Espero ser dispensado das próximas sessões porque custa-me estar a assistir e espero que a Dra. juíza me dispense das próximas sessões. Como tenho acompanhado este processo? Com preocupação e tristeza pelo que está a acontecer ao Sporting”. 

Recorde-se que o antigo líder da claque dos leões é acusado de crimes de ameaça agravada, ofensa à integridade física qualificada e sequestro - todos classificados como terrorismo. É ainda acusado de dois crimes de dano com violência.

Os atos em questão remontam a 15 de maio de 2018, quando 40 adeptos do Sporting invadiram a academia do clube, em Alcochete, após a derrota da equipa na Madeira, frente ao Marítimo. Vários jogadores do Sporting foram agredidos - alguns com marcas visíveis como o antigo avançado leonino Bas Dost - tal como o então treinador da equipa verde e branca Jorge Jesus. O julgamento prossegue hoje com mais dois militares da GNR e dois elementos da PSP a serem ouvidos.