Sociedade

Tancos. António Costa chamado como testemunha de defesa de Azeredo Lopes

Pedido consta no Requerimento de Abertura de Instrução, onde são chamadas outras oito testemunhas

O primeiro-ministro António Costa consta na lista de nove testemunhas indicadas por Azeredo Lopes, antigo ministro da Defesa, para a sua defesa. A informação foi hoje avançada pelo Observador.

Recorde-se que Albano Manuel Morais Pinto,  diretor do  Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), não havia permitido que António Costa fosse chamado como testemunha no processo referente ao caso de Tancos, durante a fase de inquérito, por não considerar ser fundamental a sua interrogação. Na altura, a Procuradoria-Geral da República assumiu a possibilidade de inquirir António Costa e Marcelo Rebelo de Sousa, mas o mesmo não veio a acontecer. Contudo, o primeiro-ministro irá mesmo ser testemunha na fase de instrução, depois de Azeredo Lopes o ter arrolado como sua testemunha de defesa.

O pedido do antigo ministro da Defesa consta do Requerimento de Abertura de Instrução. Para além de António Costa constam nesse pedido oito outras testemunhas, nomeadamente o tenente-general António Martins Pereira, seu ex-chefe de gabinete, o chefe de Estado Maior general das Forças Armadas atual, Almirante Silva Ribeiro, e o anterior, general António Pina Monteiro.

Azeredo Lopes é acusado de quatro crimes, no caso do encobrimento da operação que levou ao achamento do material militar que tinha sido roubado dos paióis de Tancos. Entre os crimes constam denegação de justiça, abuso de poder, favorecimento e prevaricação.

Para além destas nove testemunhas, Azeredo Lopes diz no Requerimento de Abertura de Instrução que os pressupostos da acusação” estão “fundados em preconceitos, desconhecimento, omissões e falsidades”. Insiste ainda na sua inocência relativamente a todos os crimes que é acusado.

No mesmo requerimento, o ex-ministro diz ter sido “condenado na praça pública” e reafirma nunca ter mentido ou ocultado “quaisquer factos relevantes do seu conhecimento”, seja como ministro, arguido ou como testemunha no inquérito.
Há ainda mais 22 arguidos neste processo, nove acusados de planearem e executarem o furto das armas e 13 pela alegada encenação na base da recuperação das mesmas.