Economia

Governo quer aumento dos salários no privado de 2,7% no próximo ano

Declarações do ministro da Economia, Pedro Siza Vieira

O Governo deixou esta quarta-feira um desafio aos parceiros sociais: assumir o objetivo de negociar aumentos acima da inflação e produtividade. Pelas contas do Executivo liderado por António Costa, os aumentos de salários no privado andariam entre os 2,7% e os 3,2% nos próximos quatro anos.

No próximo ano, o Governo quer já que a concertação social chegue a acordo para um aumento dos salários via contratação coletiva em 2,7%. Os valores propostos são de 2,9% para 2021 e 2022 e de 3,2% para 2023.

Este assunto foi debatido hoje na reunião de concertação social e ficou claro que nem todas as associações patronais estão comprometidas da mesma forma com este objetivo. De manhã, o ministro da Economia explicou que o Governo deseja que “salários em Portugal possam crescer acima daquilo que é a soma da inflação e da produtividade, para podermos caminhar para uma mais justa repartição dos salários no PIB”. O Governo quer um consenso entre centrais sindicais e confederações patronais para “poder haver uma valorização maior dos salários acima da tendência que tem havido nos últimos tempos”.

Pedro Siza Vieira defende que, para que isto seja possível, é necessário dar condições às empresas para que estas possam ser mais competitivas: “Temos de trabalhar por vários segmentos e de uma forma bastante articulada”, disse o governante.

“Precisamos de aumentar o investimento e de ter políticas públicas de apoio ao investimento, seja com instrumentos de financiamento público seja através da fiscalidade dirigida às empresas”, acrescentou. 

No final da reunião, Pedro Siza Vieira disse aos jornalistas que o que o Governo pretende fazer é um “apelo” à valorização dos salários. “O referencial vale para podermos ter um conjunto de ideias claras sobre o que queremos para o futuro do país”, explicou. 

O dirigente da UGT, Carlos Silva, defendeu um referencial de aumento entre 3% e 4% para a negociação coletiva, enquanto o líder da CGTP, Arménio Carlos, mostrou-se contra a definição de um referencial, explicando que este leva a uma “cartelização” salarial. Já António Saraiva, presidente da CIP, admitiu na semana passada aoJornal de Negócios valores a rondar os 3%, sublinhando que o valor é meramente indicativo.

Recorde-se que o Governo aprovou o aumento do salário mínimo para 635 euros em 2020, sem acordo em concertação social. No debate quinzenal (ver texto ao lado), António Costa defendeu que é necessário “continuar a melhorar o salário mínimo nacional, se queremos ter uma redução sustentada do nível de pobreza entre quem trabalha e essa tem de ser uma prioridade