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Presidente da Funarte considera que "aborto é uma indústria" que alimenta o satanismo | Vídeo

Enquanto Dante Mantovani acusou, no final de outubro, “os agentes comunistas infiltrados na CIA” de serem responsáveis pela distribuição de LSD, substância alucinogénia “a jovens durante o festival de Woodstock”, Sérgio Nascimento de Camargo “rejeita a africanidade imposta pela esquerda”.

O presidente da Fundação Nacional de Artes (Funarte) afirmou, num vídeo publicado no passado dia 30 de outubro, que o “rock leva ao aborto e ao satanismo”. Dante Mantovani, que ganhou alguma relevância com a eleição de Jair Bolsonaro, foi nomeado para a presidência do órgão público que difunde as artes no Brasil, oficialmente, esta segunda-feira.

No seu canal de YouTube, o maestro tanto partilha explicações técnicas sobre música, como divulga teorias da conspiração populares de extrema-direita. O maestro, que é também mestre em Linguística, considerou, numa das suas publicações, que o aborto é uma indústria “que, por sua vez, alimenta uma coisa mais pesada que é o satanismo. O próprio John Lennon disse que fez um pacto com o diabo”. 

Mantovani chega mesmo a questionar “como é que o brasileiro não valoriza a sua cultura?”, acrescentando que os turistas visitarão o país “para ter as suas aventuras, as duas orgias sexuais”. A fundação que o brasileiro, escolhido por Bolsonaro, preside é uma das mais importantes no Brasil, valorizando a arte no Brasil através de prémios e concursos.

As escolhas polémicas de Bolsonaro não ficam por aqui. Na última quarta-feira, o Governo nomeou Sérgio Nascimento de Camargo para a presidência da Fundação Cultural de Palmares, que visa promover a cultura afro-brasileira. O novo presidente é, no entanto, um jornalista militante da extrema-direita que nega a existência do racismo. Na sua página de Facebook, o novo presidente da Fundação Cultural de Palmares defendeu o fim do feriado da Consciência Negra, que assinala, por todo o país, a morte de Zumbi, um pernambucano que nasceu livre e foi escravizado desde os seis anos de idade. 

“O Dia da Consciência Negra é uma vergonha e precisa ser combatido incansavelmente até que perca a pouca relevância que tem e desapareça do calendário. É um feriado político, instituído pela esquerda com o objectivo de propagar o revanchismo histórico, o ressentimento racial e a degradante agenda progressista. Sou negro e repudio essa data”, escreveu o agora presidente.

Enquanto Mantovani acusou, no final de outubro, “os agentes comunistas infiltrados na CIA” de serem responsáveis pela distribuição de LSD, substância alucinogénia “a jovens durante o festival de Woodstock”, Camargo “rejeita a africanidade imposta pela esquerda”.