Economia

Infinox. Retalho e energia são as apostas para o próximo ano

Na bolsa nacional, a Infinox destaca a  EDP, REN, Jerónimo Martins e Sonae como as mais atrativas. Corretora chama também a atenção para riscos.

O retalho e a energia são as apostas da Infinox para o próximo ano. De acordo com a corretora a explicação é simples: tratam-se de setores defensivos e de consumo básico, além de oferecerem um rendimento mais elevado aos acionistas. E dá como exemplo, as ações da EDP, Galp, Jerónimo Martins, REN e Sonae. No entanto, Pedro Amorim, analista da corretora, revelou que num contexto de arrefecimento da economia “a seleção de ações nacionais deve ser mais cautelosa”.

E elege a REN como a sua empresa favorita do PSI20: “não tem uma atividade comercial elevada, como por exemplo a EDP. Se olharmos para a evolução da ação ela não passa daquele intervalo, mas a rentabilidade em dividendos, que ronda os 6%, é muito atrativa”.

O responsável disse ainda que o índice PSI20 deverá fechar o ano de 2019 nos 5065 pontos, face aos 5051 que regista atualmente. 

Mas nem tudo são boas notícias. O analista chama ainda os riscos de uma uma crise económica e lembra que a a economia global encontra-se em fase de arrefecimento económico. “Na zona euro existem países que já entraram em recessão como a Alemanha e que este arrefecimento deve-se à fase do ciclo económico”, acrescentando que “neste momento o consumo será o principal impulsionador da economia”. E que o Banco Central Europeu deu um “empurrão” com a sua política expansionista para estimular o crédito com o objetivo de aumentar o consumo e o investimento. “É uma política bastante criticável porque não resolve o problema core mas sim, adia as consequências finais. É como se estivéssemos a dar ‘doping’ na economia. A economia europeia está super endividada. Estamos a comprar ferraris com cartões de crédito”, acrescentou.

Pedro Amorim recorda que conflitos comerciais como a guerra comercial, brexit e a aliança comercial asiática serão fatores que vão prejudicar as exportações nacionais. Ainda assim, David Silva, também analista da Infinox, acena com a possibilidade de início de resolução da tensão comercial entre os EUA e a China, com o estabelecimento da ‘fase 1’ e, com isso, deverá ser retirada a primeira quota de tarifas aduaneiras, mas só deverá ser assinado em 2020.

Mas o analista alerta para entraves: “discordância no valor das taxas a serem retiradas, transferência forçada de tecnologia, roubo de propriedade intelectual e um défice comercial de quase 500 biliões de dólares entre os dois países”. 

E a Infinox alerta para dois cenários nesta guerra comercial: acordo e sem acordo. “Caso os EUA optem por manter a taxação sobre todos os produtos chineses ou até mesmo impor tarifa adicionais de 25 iríamos assistir a uma baixa considerável na produção económica de ambos os países e poderia levar a economia mundial a entrar em recessão em 2020. Já com um cenário positivo e cancelamento das taxas comerciais, a expectativa é de que os investidores mantenham seus investimentos atuais, os países emergentes tenham um desempenho superior, o dólar tenha uma maior fraqueza em relação a outras moedas, a produção económica dos EUA e China consolide um crescimento mais saudável e o PIB mundial teria um crescimento mais acentuado”, conclui.