Internacional

Nobel da Paz a caminho de Haia para negar genocídio

Aung San Suu Kyi assegura que as forças armadas do Myanmar não levaram a cabo "matanças, violações, violações em grupo e tortura" dos rohingya, ao contrário do que dizem as Nações Unidas.

Aung San Suu Kyi, que em tempos recebeu um prémio Nobel da Paz, partiu este domingo para Haia, para negar que os rohingya, uma minoria muçulmana do Myanmar (antiga Birmânia), estejam a ser alvo de um genocídio - ao contrário do que mostram os relatórios das Nações Unidas.

Cerca de 700 mil rohingya já fugiram para o vizinho Bangladesh, escapando de "matanças, violações, violações em grupo, tortura" da parte das forças armadas, lê-se num dos relatórios. No entanto, Suu Kyi partiu para as audiências do Tribunal Internacional de Justiça, em Haia, com um sorriso no rosto. Será acompanhada por dezenas de apoiantes até Haia, como Tin Aung Thein, que garantiu à Reuters: "O país tem sofrido muito por causa das fake news".

As audiências terão lugar entre 10 e 12 de dezembro. Surgem no rescaldo de um processo contra o Myanmar, posto em marcha pelo Gambia, um pequeno país africano, maioritariamente muçulmano. "As provas do genocídio devem ser preservadas, os rohingya devem ter a sua cidadania restaurada e ser-lhes permitido o seu regresso", defendeu Abdul Malik Mujahid, diretor da ONG Burma Task Force, em declarações ao Guardian.

O jornal britânico menciona que o processo possa envolver mandatos internacionais de captura contra altos dirigentes do país, ligados à perseguição aos rohingya, mas Aung Suu Kyi deverá estar imune a tal, como líder do Executivo. "Esta é a última oportunidade para ela restaurar o seu estatuto internacional", considerou Muhajid.

Contudo, é improvável que a líder Suu Kyi agarre essa oportunidade, dado o considerável apoio doméstico que as suas políticas têm tido. Ainda a semana milhares de apoiantes da líder birmanesa manifestaram-se na capital, Nay Pyi Taw. "Temos de mostrar a nossa unidade", assegurou à Reuters uma das organizadoras, Aung Thu, explicando: "Se uma líder do país diz que um limão é doce, temos de dizer que é doce". E se a líder birmanesa, contra todas as evidências, garante que o exército não está a cometer genocídio, mas sim a combater "atividades terroristas", certamente muitos dos seus apoiantes acreditarão.