Politica

‘Não vou mudar de estilo. Nem uma vírgula’

Presidente da AR repreendeu deputado do Chega por abusar da palavra ‘vergonha’. Pacheco Pereira e Ribeiro e Castro condenam comportamento de Ferro Rodrigues. 

André Ventura garante que não vai mudar «uma vírgula» ao seu discurso depois de ter sido repreendido pelo presidente da Assembleia da República por abusar da palavra vergonha nas suas intervenções. «Fui eleito com quase 70 mil votos com este discurso. Não vou mudar de estilo. Nem uma vírgula», diz ao SOL o deputado do Chega. 

A polémica nasceu no debate, na quinta-feira, sobre o amianto nos edifícios públicos. Ventura considerou que a projeto de lei do PS «é vergonhoso» e classificou o comportamento do Governo e do PS como «uma vergonha».

O presidente do parlamento considera que o deputado do Chega abusa da palavra vergonha nas suas intervenções. «O que ofende, muitas vezes, todo o Parlamento e ofende-o a si também», disse Ferro Rodrigues.

A confusão instalou-se com Ferro Rodrigues e André Ventura a falarem ao mesmo tempo. Enquanto se ouvia o presidente da Assembleia da República a passar a palavra à deputada Joacine Katar Moreira, André Ventura gritava que «é uma vergonha o que se está a passar” na Assembleia da República». 

O deputado do Chega admite que «o ambiente está crispado” e já pediu uma audiência com o chefe de Estado. Ao SOL, Ventura diz que «era importante que o Presidente da República» recebesse o Chega «antes do plenário de quarta-feira para evitar que o conflito se possa agudizar». 

André Ventura garante que não vai mudar de «registo», porque não «ofendeu ninguém» nas suas intervenções. «Não sei onde é que isto vai parar. Este conflito tem tudo para se tornar insuportável se a coisa não for resolvida a tempo. Só o Presidente da República é que pode resolver isso”, diz. 

A polémica foi alvo de vários comentários nas redes sociais e nos programas de comentário político. O ex-deputado do PSD Pacheco Pereira condenou o comportamento do presidente da Assembleia da República. «Acho isto inadmissível num parlamento em que é suposto haver liberdade de expressão. Sou contra todo o policiamento da linguagem que está a crescer na sociedade portuguesa. O último sitio em que eu espero que haja policiamento da linguagem é a Assembleia da República». Pacheco Pereira esclareceu que não tem «nenhuma simpatia pelas ideias de André Ventura, mas discorda da «atitude do Presidente da Assembleia da República». Também Ribeiro e Castro, ex-deputado do CDS, condenou a atitude do presidente do parlamento. «Vergonha é querer proibir que se diga vergonha. A palavra ‘vergonha’ não é sequer calão, nem de perto, nem de longe», escreveu, nas redes sociais, o ex-líder do CDS.