Internacional

COP25. Duas semanas para se alcançar um acordo que sabe a pouco

Grandes países como EUA, Brasil e China estão a ser vistos como os principais culpados por não se ter chegado a um compromisso sobre os mercados de carbono.

A 25.a Conferência das Partes (COP25) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas bateu um recorde: foram as mais longas negociações dos últimos 25 anos de encontros, um sintoma do impasse que se vive. Chegou-se a um compromisso para se apresentar metas mais ambiciosas para reduzir a emissão de gases com efeito de estufa, a fim de cumprir o Acordo de Paris, mas os mercados de carbono, um dos pontos principais desta cimeira, ficaram de fora.

O acordo alcançado este domingo teve um sabor amargo e fez lembrar mais do mesmo. Foram necessários dois dias extra para alcançar um compromisso em Madrid, onde foi realizada a COP25 depois de o Chile ter cancelado o evento. Pelo meio-dia deste domingo, mais de 40 horas para lá do prazo previsto, estava-se ainda longe de alcançar um compromisso.

Para os mais críticos, os Governos falharam em mostrar vontade para combater as alterações climáticas - especialmente, os dos países ricos. Embora os delegados das quase 200 nações que participaram na cimeira tenham acabado por aprovar uma declaração conjunta, em que se comprometem a ajudar os países mais pobres e mais afetados pelas alterações climáticas, não alocaram quaisquer fundos nesse sentido.

“O resultado desta COP25 é, realmente, um saco misto e está muito longe do que a ciência nos diz ser necessário”, disse Laurence Tubiana, da Fundação Europeia do Clima e arquiteta do Acordo de Paris, à BBC. “Os principais atores”, continuou, “não estiveram à altura das expetativas mas, graças a uma aliança progressiva de pequenos estados insulares, países europeus, africanos e latino-americanos, obtivemos o melhor resultado possível, contra a vontade dos grandes poluidores”.

A ronda de conversações deste ano na cimeira climática focou-se em temas técnicos, tais como os mercados de carbono, um meio pelo qual os países podem negociar os cortes nas emissões de carbono. Alguns economistas vincam a importância desta matéria, argumentando que pôr um preço nas emissões de carbono encorajaria as empresas a fazerem a transição para as tecnologias de baixa emissão de gases. 

No entanto, uma futura regulamentação desta matéria ficou adiada para o próximo ano - algo que provocou forte desilusão em muitos delegados, incluindo o secretário-geral da ONU. “A comunidade internacional perdeu uma oportunidade importante para mostrar maior ambição na mitigação, adaptação e financiamento para enfrentar a crise climática”, disse António Guterres, citado pela Associated Press. “Não podemos desistir e não vamos desistir”.

Para justificar o falhanço, apontou-se o dedo a grandes atores como o Brasil, Estados Unidos, China, Índia e Arábia Saudita. Dos maiores poluidores, apenas a União Europeia e o Canadá mostraram alguma ambição de atingir a neutralidade carbónica até 2050, mas a sua liderança não ressoou nos corredores da cimeira realizada na capital espanhola.